Monday, May 08, 2006

Promesas do fim do mundo

Quando eu era criança não tinha medo de lobisomem, bicho-papão nem mula-sem-cabeça. Também não me preocupava com bandidos e ladrões. Mas, em compensação, eu tinha certeza que caíria uma bomba atômica no Rio e todos moreriam. Eu não conseguia dormir imaginando alguém nos EUA apertando um botão vermelho. Nunca me ocorreu que os maus eram os Russos.

Lembro que na época assisti no Jornal Nacional um grupo de pacifista que tinha um relógio que marcava o tempo para o fim do mundo. Naquele dia, Cid Moreira contou que devido a um desacordo entre os EUA e a União Soviética o marcador andou mais um minuto pra a frente. Simbolicamente faltavam, então, 4 minutos para o fim do mundo. Malditos pacifistas!

Eu não contava estas coisas para ninguém, poderia parecer um bobo com medo de uma guerra nuclear. Mas este era meu maior pavor.

Passou um filme na Globo chamado “O Dia Seguinte”. E então eu sabia até como seria o momento fatal para humanidade. Primeiro carros, tvs e até relógios de pulso parariam de funcionar e depois como num raio-x eu viraria um esqueleto quando as ondas eletromagnéticas e de calor me atingissem. Assim funcionava minha cabeça.

Ás vezes com o intuito de me acalmar eu imaginava que talvez os americanos iriam atacar São Paulo, não o Rio. Ficava mais tranquilo.

Porém havia a usina nuclear de Angra dos Reis do lado do Rio. Eu ficava pensando se a radiação chegaria à zona norte.

Hoje eu cansei de esperar pelo fim do mundo. Avisaram sobre a Aids e o vírus ebóla. Prometeram catástrofes decorrentes do efeito estufa, chuva ácida, buraco na camada de ozônio e derretimento de calotas. Falaram de aumento do Sol e depois da diminuição do Sol.

Não vai ser gripe aviária e guerra dos cristões x muçulmanos que vai tirar meu sono.

3 comments:

Má said...

AMEI o texto!!! Exceto a parte dos russos, é claro.

Anonymous said...

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Daniel Caron said...

eu tinha medo do botão vermelho, mas tinha mais medo do escadinha - então chefe do crime organizado no rio