A causa da crise do ponto de vista de esquerda de Lula versus o da direita americana
O presidente Lula recentemente disse na ocasião em que o primeiro ministro britânico Gordon Brown estava no Brasil que a crise mundial foi causada “por banqueiros brancos de olhos azuis que achavam que entendiam de economia”. Esta citação do nosso presidente que tem mais pérolas que pescoço de madame é agora criticada e análisada pela mídia internacional. Em geral os jornais americanos e europeus condenam a observação racista. Primeiro pois as causas da crise são tão complexas que nenhum discurso curto poderia explicar. Mas também porque num momento de crise as tensões raciais costumam ficar mais energizadas e tais afirmações, ainda mais ditas por um líder que tenta a todo custo se projetar internacionalmente, podem criar violência. Lembremos do tempo da grande depressão nos anos 30 que de alguma maneira contribuiu para alimentar os criminosos conflitos entre negros e brancos nos EUA e o crescimento de um sentimento nazista na Europa.
O Lula é um demagogo, é um populista, é um apreciador de metáforas futibolísticas e de frases de efeito. Mas ele em geral, por incrível que pareça, está em sintonia com a maioria da população brasileira. Veja sua popularidade no alto dos sessenta, setenta por cento. Ele tem como quase obrigação falar estes absurdos e a crítica internacional também não pode deixar criticar coisas faladas assim tão irresponsavelmente.
Mas agora façamos a comparação entre a frase “a crise foi causada por banqueiros brancos de olhos azuis que achavam que entendiam de economia” com uma frase difundida aqui nos EUA pelos de direita: “a crise (iniciando-se com a crise imobiliária) foi causada por minorias que pegavam empréstimos para comprar a casa própria e depois não conseguiam pagar”. Colocando estas duas frases lado a lado a de Lula parece menos absurda. Como julgar a minoria latina e negra dos EUA por quererem nada mais que uma vida melhor e serem lubridiados a aceitar tais empréstimos? Foram facilmente iscados a pegar tais empréstimos oferecidos por instituições financeiras ultra gananciosas justamente por serem pobres e pouco educados como consequência de um regime controlado por uma elite (branca de olhos azuis?) que cria estas aberrações sociais. Como não concordar que a crise foi de fato em parte causada por banqueiros? De todas as cores, é verdade. Como criticar um líder esquerdista que em geral defende os mais pobres no mundo em comparação a líderes de direita que muito pelo contrário culpam os pobres pelos problemas do mundo?
Thursday, April 02, 2009
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Augusto Ouriques Lopes
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Thursday, March 26, 2009
A Barba Toma Conta de Mim
Sou um bebê de 30 anos de barba bem feita, recém feita.
Sinto meu rosto como sinto seda.
Suave é minha cútis como são minhas ações.
“Por favor”, “Muito obrigado”. Abro a porta do carro para meu amor.
Quem falou que isto não existe mais? Minha cara limpa não se acanha em ser gentil, em ser um cavalheiro.
Como uma lixa no terceiro dia sinto meu queixo, pescoço, maçãs do rosto.
“Por favor” vira “Porra”.
Estou deprimido, bebo demais. Não durmo, bebo demais. Bebo demais.
Me liberto no sexto dia. Sou um bruto total.
Não falo palavrões, porque só ruídos solto.
Minha barba crespa, grossa é minha verdadeira face.
Minha mulher é repulsiva para meus olhos.
A barba é plena. Entre os carrapatos minha baba escorre.
Uma barba de dezesseis dias. Ou seriam dezessete?
Não raciocino, sou menos que um animal.
Se existo de alguma maneira, sou no melhor uma poça de esperma, pus, catarro.
Vejo aquela que amei, que se diz minha mulher como nada mais que uma poça de esperma, pus, catarro também.
Me tranco no banheiro. Me encaro no espelho. Tenho que fazer a barba. Ela toma conta de mim.
A navalha. Minha goela. Esperma, pus, catarro, sangue e barba, muita barba.
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Augusto Ouriques Lopes
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Monday, March 16, 2009
Contos Minúsculos 5
Acabara de escrever em seu diário: “Assim passei meu quadragéssimo-terceiro dia sem descer do alto deste Carvalho. Só me tiram daqui e derrubam esta árvore com uma ordem judicial assinada pelo Senhor!” quando de sopetão do céu anil sem nuvens um relâmpago desceu matando ele e a árvore.
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Augusto Ouriques Lopes
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Wednesday, February 18, 2009
Leia “Watchmen”
Li “Watchmen” pela primeira vez no final dos anos 90. A recomendação foi dada por um amigo amante de literatura brasileira, clássicos de Homero, Shakespeare, Saramago. A princípio achei engraçado estar voltando a ler uma história em quadrinhos, coisa que fiz demais quando era criança. O que teria “Watchmen” se não personagens rasos, narrativa boba de heróis do bem contra vilões do mal, a pregação moral do que é certo?
Li aquela primeira vez e mais três vezes desde então. A cada leitura descobria uma nova camada. Os personagens são incrivelmente palpáveis, a narrativa é complexa e completa. Basicamente todos as grandes palavras estão lá abordadas: Amor, Sexo, Existência, Guerra, Vingança. Temas que eram foco nos anos 80 e ainda hoje são estão presentes: Genética, armas nucleares, homosexualismo, luta de classes, ideologia de direita x ideologia de esquerda, capitalismo, socialismo, busca pela fama. Como “Cem Anos de Solidão”, “Sgt. Peppers”, “Guernica” e “Cidadão Kane” estão para seus respectivos meios “Watchmen” está para a história em quadrinhos. Sim é um clássico no sentido original da palavra. Será, se já não é, estudado em classes universitárias.
Fica aqui minha recomendação, leia o livro antes da estréia do filme que acredito não vai chegar próximo da riqueza da obra original como acontece com muitas adaptações de Hollywood. E ainda cria uma mundo na nossa cabeça que só irá comprometer uma apreciação plena que só se consegue sendo virgem em relação à obra original se no futuro decidirmos lê-la.
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Augusto Ouriques Lopes
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3:31 PM
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Friday, December 19, 2008
Blogar para não perder a capacidade de escrever. Dizem que escrever é como fazer exercícios físicos: É difícil, é chato, dói. Mas que quanto mais você faz, melhor você fica e eventualmente acaba gostando daquilo.
Mas sem prática se perde muito. Uma prova é este post ruim depois de meses sem blogar.
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Augusto Ouriques Lopes
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9:08 AM
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Friday, November 14, 2008
Fênix
Meus caros, voltarei. Logo voltarei. Mas por enquanto, para aquecer: Um sujeito que toca um violão.
Yamandu Costa.
Pode xingar.
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Augusto Ouriques Lopes
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8:02 PM
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Sunday, April 27, 2008
Não entendo o patriotismo. Algumas pessoas criticam os imigrantes por eles terem deixado o seu país, terem abandonado a sua nação, como se aqueles fossem traidores, como se aquilo fosse pecado. Pecado me parece uma palavra apropriada para se usar aqui, pois o amor a pátria é similar a fé a uma religião.
Para início é algo que nos é enfiado na cabeça quando somos ainda crianças inocentes descobrindo o mundo. Na minha escola cantava-se o hino nacional toda segunda. Não é isto algo como rezar todo domingo? (Aqui cabe dizer que me parece que quando mais uma coisa não tem lógica mais precisamos estar o tempo todo repetindo aquilo para nós mesmos para podermos acreditar: ir a missa todo domingo, cantar o hino com frequência. Aprendi que a raiz de nove é três e não tenho necessidade nenhuma de estar repetindo esta conta para não me esquecer que isto é verdade.) Bill Maher foi quem falou que religião é algo que nos enfiam goela abaixo quando somos novos, mas nossa responsabilidade quando adultos é retirar aquilo de lá. O mesmo serve para o patriotismo.
Outra questão mais importante é a própria definição de patriotismo. Devo amar a cultura do país, o povo ou a política? Não posso amar a distância? Temos mesmo que dar nossas vidas por este amor muitas vezes não correspondido? Se eu sou espírita e umbandista, Jesus me salvará?
“Amo a minha pátria, especialmente meu estado, mais especificamente minha cidade. Se alguém sai de Recife e vai morar em Salvador, pronto, acho este sujeito um traidor.” Não posso usar o mesmo raciocínio do patriotismo para justificar um “cidadismo”? Extrapolando posso chegar ao bairrismo,daí ao “só amo minha família”, e finalmente “só amo a mim mesmo.”
Eu pessoalmente acho que se há O2 para respirar, H2O para beber, as temperaturas estão entre cinquenta negativo e cinquenta positivo Celsius, estou num lugar que posso chamar de casa. Aliás, me corrijo, se colonizarem a lua e eu for morar lá nem estes elementos terráqueos comuns são limites para meu “patriotismo” seja lá o que isto queira dizer.
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Augusto Ouriques Lopes
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Saturday, February 23, 2008
Friday, February 22, 2008
Francisco Obama
2004: Comício do candidato a vereador de Curitiba, Francisco Garcez. Um povo sofrido com fome às 8 da noite esperando qualquer coisa que servissem. “Será que só vai sair comida depois do discurso” perguntava a velhinha sentada numa das poucas cadeiras. O povo, uns mil, na maioria em pé.
2008: O telão do ginásio do time da NBA de Houston, os Rockets, mostra gente famosa que apoia Obama. Com um copo de Red Label na mão e um livro do Saramago “Todos os Nomes” na outra espero. “Não sei se esta bagaça vai demorar” pensava eu.
2004: A casa de eventos do lado da canaleta do expresso “Pra gente conseguir chegar” estava lotada. Um trabalho bem feito pelos membros da campanha do candidato do PT. Eu à tarde estava lá pendurando bandeirinhas com meu companheiro Eduardo Amatuzzi.
2008: Uma negra bonita no palco puxa o coro. “Barack” para um lado do estádio. “Obama” para o outro. As 20 mil pessoas gritavam e festejavam o evento. Não pude deixar de lembrar minha primeira visita a uma igreja evangélica aqui nos EUA. Os eventos aqui, igreja, comício, ganham aura de show. E o orador, o pastor, o candidato tem que ser antes de tudo um showman.
2004: “Oba, chegou a comida”. Uns pratos de salgadinhos, coxinhas, kibes, passando e o povo sofrido de esfomeação atacando. Depois sim, começou o comício. O papo era tapar buracos, construir valetas e outras coisitas como é comum no discurso de qualquer candidato a vereador em qualquer canto do Brasilzão.
2008: O Sr. Barack Obama candidato a presidência da maior potência mundial é um baita showman. Nas pausas da fala, aplausos eufóricos. Em 44 minutos conclui com promesas de fim da guerra no Iraque, planos de saúde para todos e reduçao de emissão CO2.
2004: Francisco Garcez não foi eleito. Foi por pouco. Faltaram uns 400 votos, se não me engano. Mas pelo menos até 2008 continuaria tocando o jornal de bairro Folha do Boqueirão e fazendo o que podia para, bem, tapar os buracos das ruas do bairro.
2008: Obama vai bem. Tem a maioria dos delegados necessários para ser o candidato do partido democrata e se eleito se tornará o primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América.
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Augusto Ouriques Lopes
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Tuesday, February 19, 2008
Breves considerações sobre este tal de mundo
Kosovo. Comecemos Kosovo, porque sem ovos não dá!
Este lugar cujo nome dá vontade de fazer uma piadinha é o mais novo país independente deste tal de mundo. Bem, é ou não é. Pelo que entendi a independência de um país tem que ser aprovada por outros países para que aquele país seja de fato um país. É isto? E se metade do planeta reconhecer um novo membro e a outro metade não? Vai para segundo turno?
A Espanha, entre as grandes nações européias não reconheceu a independência de Kosovo. Mas é óbvio que não reconheceria. Com os Bascos ali dentro de suas fronteiras loucos para formarem sua própria república, a Espanha não daria esta chance. A Rússia também disse não. Os EUA disseram sim. Os dois como muitas vezes de lados opostos. E o Brasil, ah o Brasil! O Brasil vai esperar um pouquinho para depois decidir, para que pressa?
Eu sinceramente estou com o Brasil e ainda não tenho opinião formada. (Detesto quando isso acontece. Estou distraído acompanhando a política só de 231 outros países e vem um fora da minha lista declarar independência, saco).
Mas o que realmente me preocupa é o quanto estamos longe do futuro. Sim, se alguém aí lê qualquer coisa de ficção científica sabe que conforme o planeta terra evolua a tendência é que todas as raças, religiões e povos vivam em paz e uma comunidade mundial existirá no lugar de países independentes. Até um dia, todos os extraterrestres, pelo menos da nossa galáxia se unirem a nós. Daí para frente guerra só com outras galáxias. Oba!
Cuba. Brasil lançou foguete, Cuba também quer lançar, Ô Cu-Cuba lança....
Mais um país cujo nome pode virar piadinha está no centro da atenção da imprensa internacional (Será que é combinado isto? Já imaginou, manchete do Le Figaro: Cuba Lança Novo Presidente e Kosovo Não Entra na ONU).
O Fidel se foi. Não deu o gosto aos EUA de morrer mas simplesmente recusou se “candidatar” às próximas “eleições”. Bem, mais um assunto polêmico. Sim, ele mandou prender gente e possivelmente até matar uns que eram contra o sistema. Mas ele também criou excelentes sistemas de saúde e educação sem ajuda do rico Tio Sam.Uma disputa David x Golias na qual muita inteligente em algum ponto já tomou o lado de Cuba.
Dinamarca. País chato, pô. Não dá para fazer piadinhas de fundo sexual com o nome. Que saco!
A Dinamarca ganhou a primeira posição numa lista de países mais felizes do mundo. Não sei, não conheço, nunca fui para lá. Mas uma vez conheci uma dinamarquesa, linda, loira, alta, com um par de...Bem, sei que ela me fez bem feliz.
O que quero com o tópico Dinamarca é mostrar algo que garanto que vocês nunca viram (Não, não tenho fotos da dinamarquesa nua): as famigeradas charges e caricaturas do profeta Maomé que causaram tanto rebuliço a um tempo atrás. Fiquei por tempos curioso e, o pior, indignado que tanto falavam sobre as consequências dos desenhos mas ninguém tinha os cunhões de mostrar os malditos. Estão aqui as charges.
Houve um tempo que eu queria ser amigo de todo mundo. Agora depois de publicar estas charges aqui sei que já não posso mais contar com nenhum terrorista xiita extremista. Fazer o que, não se pode agradar a todos.
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Augusto Ouriques Lopes
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