Monday, November 02, 2009

Protesto Contra a Comilança de Carne
ou
Vegetarianos Criativos







Num dia de semana, dia de movimento no centro de San Diego, Califórnia, pessoas de ideais vegetarianos quase nuas manchadas de tinta vermelha se enrolaram em papel plástico e deitaram em bandeijas para protestar contra o consumo de carne.

Contos Minúsculos 6

Ela conta: "O curso de direito me esgota a tal ponto, que quando chego em casa não quero assitir um filme de Fellini. Quero sim é não pensar em nada, quero ver um "reality show" bem vagabundo.
Eu penso: "Para quantos será que ela não usou a mesma frase de efeito?"


Maurício Albuquerque corre desenfreadamente pela Augusta. Não são quatro e trinta da manhã, horário raro quando os silêncios se fazem naquela parte de Sampa. São duas e trinta da tarde e para cada passo, um esbarro; cada pulo, uma cotovelada; cada desviada, uma gritada: Pega ladrão!

Tuesday, October 20, 2009

Variedade nas aplicações

É prática corriqueira dos opiniadores nos assuntos financeiros dar a seguinte instrução: “ Tenha variedade nos seus investimento” ou também “Não tenha todos os seus ovos em uma cesta só”. Este que vos escreve, pouco entende de economia, porém considera aqueles sábios conselhos.
Acho a idéia de um variado portfólio entre digamos, ouro, dólares, imóveis, poupança, ações tão inteligente que me acorreu perguntar algo aos ventos: - Por que não aplicamos o mesmo conceito à carreiras? Sim, poderíamos crescer e estudar para sermos médico oncologista e turismólogo . Não é nossa profissão afinal talvez o maior investimento que fazemos na vida? Cursar duas faculdades ao mesmo tempo ou fazer uma logo após a outra seria prática comum entre as pessoas. Pode-se argumentar que muitos já fazem isto, mas aqui me refiro a fazer dois cursos bem diferentes. Está cheio de gente por aí se formando em administração e engenharia como cursos complementares. Estou falando do sujeito fazer odontologia e decoração. Também não é só para faculdades, mas para aprender a ser borracheiro e maquiador durante a vida.
Os pais e avós perguntariam “Quantas carreiras você vai ter quando crescer?” Os miúdos falariam que seriam bombeiros, policiais, e super-herói.
E como aqui falo de carreiras me refiro a longas carreiras realmente. Alguém trabalharia de domador de leões por dois anos e nos próximos dois frentista.
Assim estaríamos mais protegidos da grande angústia dos nossos tempos, o medo de ficar desempregado. Quanto mais carreiras tivéssemos mais chances de sermos “recolocados no mercado”.

Thursday, April 02, 2009

A causa da crise do ponto de vista de esquerda de Lula versus o da direita americana

O presidente Lula recentemente disse na ocasião em que o primeiro ministro britânico Gordon Brown estava no Brasil que a crise mundial foi causada “por banqueiros brancos de olhos azuis que achavam que entendiam de economia”. Esta citação do nosso presidente que tem mais pérolas que pescoço de madame é agora criticada e análisada pela mídia internacional. Em geral os jornais americanos e europeus condenam a observação racista. Primeiro pois as causas da crise são tão complexas que nenhum discurso curto poderia explicar. Mas também porque num momento de crise as tensões raciais costumam ficar mais energizadas e tais afirmações, ainda mais ditas por um líder que tenta a todo custo se projetar internacionalmente, podem criar violência. Lembremos do tempo da grande depressão nos anos 30 que de alguma maneira contribuiu para alimentar os criminosos conflitos entre negros e brancos nos EUA e o crescimento de um sentimento nazista na Europa.
O Lula é um demagogo, é um populista, é um apreciador de metáforas futibolísticas e de frases de efeito. Mas ele em geral, por incrível que pareça, está em sintonia com a maioria da população brasileira. Veja sua popularidade no alto dos sessenta, setenta por cento. Ele tem como quase obrigação falar estes absurdos, não que a crítica internacional também não esteja certíssima ao criticar coisas faladas assim tão irresponsavelmente...
Mas agora façamos a comparação entre a frase “a crise foi causada por banqueiros brancos de olhos azuis que achavam que entendiam de economia” com uma frase difundida aqui nos EUA pelos de direita: “a crise (iniciando-se com a crise imobiliária) foi causada por minorias que pegavam empréstimos para comprar a casa própria e depois não conseguiam pagar”. Colocando estas duas frases lado a lado a de Lula parece menos absurda. Como julgar a minoria latina e negra dos EUA por quererem nada mais que uma vida melhor e serem lubridiados a aceitar tais empréstimos? Foram facilmente iscados a pegar tais empréstimos oferecidos por instituições financeiras ultra gananciosas justamente por serem pobres e pouco educados como consequência de um regime controlado por uma elite (branca de olhos azuis?) que cria estas aberrações sociais. Como não concordar que a crise foi de fato em parte causada por banqueiros? De todas as cores, é verdade. Como criticar um líder esquerdista que em geral defende os mais pobres no mundo em comparação a líderes de direita que muito pelo contrário culpam os pobres pelos problemas do mundo?

Thursday, March 26, 2009

A Barba Toma Conta de Mim

Sou um bebê de 30 anos de barba bem feita, recém feita.
Sinto meu rosto como sinto seda.
Suave é minha cútis como são minhas ações.
“Por favor”, “Muito obrigado”. Abro a porta do carro para meu amor.
Quem falou que isto não existe mais? Minha cara limpa não se acanha em ser gentil, em ser um cavalheiro.

Como uma lixa no terceiro dia sinto meu queixo, pescoço, maçãs do rosto.
“Por favor” vira “Porra”.
Estou deprimido, bebo demais. Não durmo, bebo demais. Bebo demais.

Me liberto no sexto dia. Sou um bruto total.
Não falo palavrões, porque só ruídos solto.
Minha barba crespa, grossa é minha verdadeira face.
Minha mulher é repulsiva para meus olhos.

A barba é plena. Entre os carrapatos minha baba escorre.
Uma barba de dezesseis dias. Ou seriam dezessete?
Não raciocino, sou menos que um animal.
Se existo de alguma maneira, sou no melhor uma poça de esperma, pus, catarro.
Vejo aquela que amei, que se diz minha mulher como nada mais que uma poça de esperma, pus, catarro também.

Me tranco no banheiro. Me encaro no espelho. Tenho que fazer a barba. Ela toma conta de mim.

A navalha. Minha goela. Esperma, pus, catarro, sangue e barba, muita barba.

Monday, March 16, 2009

Contos Minúsculos 5

Acabara de escrever em seu diário: “Assim passei meu quadragéssimo-terceiro dia sem descer do alto deste Carvalho. Só me tiram daqui e derrubam esta árvore com uma ordem judicial assinada pelo Senhor!” quando de sopetão do céu anil sem nuvens um relâmpago desceu matando ele e a árvore.

Wednesday, February 18, 2009

Leia “Watchmen”

Li “Watchmen” pela primeira vez no final dos anos 90. A recomendação foi dada por um amigo amante de literatura brasileira, clássicos de Homero, Shakespeare, Saramago. A princípio achei engraçado estar voltando a ler uma história em quadrinhos, coisa que fiz demais quando era criança. O que teria “Watchmen” se não personagens rasos, narrativa boba de heróis do bem contra vilões do mal, a pregação moral do que é certo?

Li aquela primeira vez e mais três vezes desde então. A cada leitura descobria uma nova camada. Os personagens são incrivelmente palpáveis, a narrativa é complexa e completa. Basicamente todos as grandes palavras estão lá abordadas: Amor, Sexo, Existência, Guerra, Vingança. Temas que eram foco nos anos 80 e ainda hoje são estão presentes: Genética, armas nucleares, homosexualismo, luta de classes, ideologia de direita x ideologia de esquerda, capitalismo, socialismo, busca pela fama. Como “Cem Anos de Solidão”, “Sgt. Peppers”, “Guernica” e “Cidadão Kane” estão para a literatura, a música, a pintura e o cinema, “Watchmen” está para a história em quadrinhos. Sim é um clássico no sentido original da palavra. Será, se já não é, estudado em classes universitárias.

Fica aqui minha recomendação, leia o livro antes da estréia do filme que acredito não chegará próximo da riqueza da obra original como acontece com muitas adaptações de Hollywood. E ainda criará um mundo na nossa cabeça que só irá comprometer uma apreciação plena que só se consegue sendo virgem em relação à obra original se no futuro decidirmos lê-la.

Friday, December 19, 2008

Blogar para não perder a capacidade de escrever. Dizem que escrever é como fazer exercícios físicos: É difícil, é chato, dói. Mas que quanto mais você faz, melhor você fica e eventualmente acaba gostando daquilo.

Mas sem prática se perde muito. Uma prova é este post ruim depois de meses sem blogar.

Friday, November 14, 2008

Fênix

Meus caros, voltarei. Logo voltarei. Mas por enquanto, para aquecer: Um sujeito que toca um violão.
Yamandu Costa.



Pode xingar.

Sunday, April 27, 2008

Não entendo o patriotismo. Algumas pessoas criticam os imigrantes por eles terem deixado o seu país, terem abandonado a sua nação, como se aqueles fossem traidores, como se aquilo fosse pecado. Pecado me parece uma palavra apropriada para se usar aqui, pois o amor a pátria é similar a fé a uma religião.

Para início é algo que nos é enfiado na cabeça quando somos ainda crianças inocentes descobrindo o mundo. Na minha escola cantava-se o hino nacional toda segunda. Não é isto algo como rezar todo domingo? (Aqui cabe dizer que me parece que quanto mais uma coisa não tem lógica mais precisamos estar o tempo todo repetindo aquilo para nós mesmos para podermos acreditar: ir a missa todo domingo, cantar o hino com frequência. Aprendi que a raiz de nove é três e não tenho necessidade nenhuma de estar repetindo esta conta para não me esquecer que isto é verdade.) Bill Maher foi quem falou que religião é algo que nos enfiam goela abaixo quando somos novos, mas nossa responsabilidade quando adultos é retirar aquilo de lá. O mesmo serve para o patriotismo.

Outra questão mais importante é a própria definição de patriotismo. Devo amar a cultura do país, o povo ou a política? Não posso amar a distância? Temos mesmo que dar nossas vidas por este amor muitas vezes não correspondido? Se eu sou espírita e umbandista, Jesus me salvará?

“Amo a minha pátria, especialmente meu estado, mais especificamente minha cidade. Se alguém sai de Recife e vai morar em Salvador, pronto, acho este sujeito um traidor.” Não posso usar o mesmo raciocínio do patriotismo para justificar um “cidadismo”? Extrapolando posso chegar ao bairrismo,daí ao “só amo minha família”, e finalmente “só amo a mim mesmo.”

Eu pessoalmente acho que se há O2 para respirar, H2O para beber, as temperaturas estão entre cinquenta negativo e cinquenta positivo Celsius, estou num lugar que posso chamar de casa. Aliás, me corrijo, se colonizarem a lua e eu for morar lá nem estes elementos terráqueos comuns são limites para meu “patriotismo” seja lá o que isto queira dizer.

Saturday, February 23, 2008

Pois este blog não quer ser tão sério