Saturday, April 29, 2006

Inglês, espanhol, português

Acordei disposto a escrever sobre a polêmica gerada em torno do Hino Americano gravado em espanhol. O idealizador do "Nuestro Himno" (o nome também foi adaptado) é o britânico Adam Kidron. Ele diz que a nova versão é para aqueles imigrantes que ainda não sabem inglês já começarem a aprender os valores de liberdade dos Estados Unidos da América. Este assunto está bem naquela área embaçada onde muticulturalismo parece se contrapor a patriotismo. Eu, sinceramente, ainda não tenho uma opinião definida. Mas como o Sr. George Bush já se pronunciou contra, provavelmente eu vou me descobrir a favor. Mas deixei este assunto de idioma dos outros todo pra escanteio e me agarrei na saudade da minha língua materna. O lindo português, a última flor do Lácio!
Fui atrás de um poema que adoro que comporta a lindeza do nosso idioma falado. Procure recitá-lo, é bem gostoso:

Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!

Do paraibano Zé da Luz.

2 comments:

Tuaregue said...

O Ornitorrinco, cujos ouvidos estão há mais de seis meses longe do idioma pátrio, está se mostrando sensível ao que convencionamos chamar "saudade" que nada mais é que aquela nostalgia que acomete-nos quando da impossibilidade de vermos, sentirmos, tocarmos ou privarmos da companhia de coisas, valores ou pessoas que nos são caros. Acontece que "Saudade" é uma palavra bem apropriada na medida em que só existe na nossa lingua. Ela vem ao encontro dos exilados - voluntários ou não - para espicaçá-los, perturbá-los e tirar-lhes a tranqüilidade e, em conseqüência, valorizar a vida no Brasil varonil. Agüenta, Mané!

P. Quaresma said...

Não se tem notícia, não houve registro, ao que se saiba, de que em algum momento de nossa história de que algum povo, alguma outra nação ou alguma etnia tenha traduzido o hino de um país que a acolhe.
O fato de o "povo" latino radicado nos USA ter feito isso, pode significar uma homenagem inusitada, e deverá ser encarada sob esta ótica não obstante a opinião desfavorável do senhor Bush.
Nós, brasileiros, ficaríamos lisonjeados se as tantas comunidades de estrangeiros ou seus descendentes que integram nossa nação traduzisse o Hino Nacional e o cantasse nas reuniões e solenidades. Lanço um idéia: Brasileiros que vivem nos USA, traduzam o hino americano e o cantem sempre que se reunirem!