Friday, February 22, 2008

Francisco Obama

2004: Comício do candidato a vereador de Curitiba, Francisco Garcez. Um povo sofrido com fome às 8 da noite esperando qualquer coisa que servissem. “Será que só vai sair comida depois do discurso” perguntava a velhinha sentada numa das poucas cadeiras. O povo, uns mil, na maioria em pé.

2008: O telão do ginásio do time da NBA de Houston, os Rockets, mostra gente famosa que apoia Obama. Com um copo de Red Label na mão e um livro do Saramago “Todos os Nomes” na outra espero. “Não sei se esta bagaça vai demorar” pensava eu.

2004: A casa de eventos do lado da canaleta do expresso “Pra gente conseguir chegar” estava lotada. Um trabalho bem feito pelos membros da campanha do candidato do PT. Eu à tarde estava lá pendurando bandeirinhas com meu companheiro Eduardo Amatuzzi.

2008: Uma negra bonita no palco puxa o coro. “Barack” para um lado do estádio. “Obama” para o outro. As 20 mil pessoas gritavam e festejavam o evento. Não pude deixar de lembrar minha primeira visita a uma igreja evangélica aqui nos EUA. Os eventos aqui, igreja, comício, ganham aura de show. E o orador, o pastor, o candidato tem que ser antes de tudo um showman.

2004: “Oba, chegou a comida”. Uns pratos de salgadinhos, coxinhas, kibes, passando e o povo sofrido de esfomeação atacando. Depois sim, começou o comício. O papo era tapar buracos, construir valetas e outras coisitas como é comum no discurso de qualquer candidato a vereador em qualquer canto do Brasilzão.

2008: O Sr. Barack Obama candidato a presidência da maior potência mundial é um baita showman. Nas pausas da fala, aplausos eufóricos. Em 44 minutos conclui com promesas de fim da guerra no Iraque, planos de saúde para todos e reduçao de emissão CO2.

2004: Francisco Garcez não foi eleito. Foi por pouco. Faltaram uns 400 votos, se não me engano. Mas pelo menos até 2008 continuaria tocando o jornal de bairro Folha do Boqueirão e fazendo o que podia para, bem, tapar os buracos das ruas do bairro.

2008: Obama vai bem. Tem a maioria dos delegados necessários para ser o candidato do partido democrata e se eleito se tornará o primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América.

4 comments:

Goiano said...

Dois mundos, duas realidades. Bela confrontação de ambientes que, por suposição, deveriam ser parecidos. Agora só falta o Obama ganhar a indicação e a eleição para termos a maior quebra de paradigma do sistema democrático de todos os tempos e, de quebra, um mundo mais seguro.

Daniel Caron said...

Muito bom o texto Lopes. Realmente a comparação destes dois mundos do universo político faz pensar o quanto nosso debate está atrasado... Mas não tem como ser verde estando no vermelho, não é?

Grande abraço!

Michele said...

muito bom Augusto! Quanto ao comentário do caron, sim, estamos atrasados, mas avançar não significa chegarmos à babaquice americana. Não messsmo. E tbm trata-se da comparação de uma campanha de verador no Brail contra a da presidência nos EUA, a vaga de dono do mundo.

beijo malandro que foi embora sem me ver

Anonymous said...

Putz prefiro quibe e coxinha se te falar a verdade.

Alien8