Friday, July 27, 2007

OS INTERNALFAS

É sabido, porquanto os registros históricos nos contam, que, ao longo do decurso evolutivo da sociedade humana; que a uma nova técnica incorporada; a um novo método desenvolvido ou a um novo “melhoramento” na comunicação ou no que tange a confecção ou indústria de artefatos, objetos, moradias, armas, utensílios ou coisas do dia-a-dia, uma boa parcela dessa sociedade se via excluída do processo. Isto é, nem todos tinham acesso à novidade, mesmo que esta levasse anos para ser absorvida e utilizada pelo grupo humano que a criou. Não é difícil entender por que. Quando os Sumérios, por exemplo, criaram a escrita, ou os Egípcios passaram a registrar sua história através de hieróglifos, nem todos daquelas sociedades eram compelidos a usar tais meios de comunicação, não tinham necessidade de fazê-lo, não fazia parte do cotidiano da grande massa do “povo” utilizar escrita ou hieróglifos, a comunicação escrita não lhes trazia quaisquer benefícios, suas vidas domésticas e profissionais não precisavam dessa ferramenta nova. Só os próceres, como sacerdotes, escribas e nobres usavam a “novidade”. Os demais, grande maioria, passaram a ser analfabetos. Mesmo em épocas bem mais recentes como na Europa da idade média, os textos, livros, manuscritos e panfletos eram acessíveis a muito poucos, o povão vivia na escuridão do analfabetismo. A sociedade humana evoluiu e a escrita, foi, aos poucos, fazendo-se necessária, na medida em que criou sua própria demanda, isto é, a complexidade das relações entre povos, nações, grupamentos e indivíduos era de tal ordem que só a comunicação oral não era suficiente para suportar o gravame de tais interdependências. A palavra escrita se impôs, e os analfabetos, marginais da história, agora, ainda que maioria, deslocaram-se para as camadas menos aquinhoadas, formaram a multidão dos despossuídos, dos pobres, dos servos e escravos. O progresso social é implacável, não contempla aqueles que não o acompanham. Continuou o progresso a marchar com passos largos ao rufar de tambores das tecnologias novas, continuou a criar novidades e assimilar novos saberes e sucessão de necessidades impossíveis de serem absorvidas por todos. Chegamos à última década do século vinte e, na cauda da informática, veio a internet. Oh internet! Marco divisório entre os que sabem e os que não sabem! Fez surgir um universo paralelo no qual tudo existe e, do qual, aqueles que têm acesso tudo podem extrair, mas criou uma nova classe de excluídos, os INTERNALFAS, na qual me incluo. Nós, os internalfas, ainda somos como os sumerianos dos primórdios da escrita, não temos necessidade vital da internet, nossa vida não depende dela. Mas chegará o dia em que aqueles que não souberem utilizá-la não terão oportunidades iguais aos demais, serão os párias de uma sociedade tecnológica, serão cidadãos de segunda linha. Estarão à margem das atividades daqueles “escolhidos” que usufruirão do que a internet tem a oferecer, a sociedade estará dividida entre os internautas e internalfas, classes distintas de senhores e servos. É hora de acordar! Internalfas de todo mundo, adentrai o mundo internético, tudo que tendes a perder é a vossa ignorância! JAIR CORDEIRO LOPES (convidado)

4 comments:

Leitor discreto. said...

Comecei a ler e logo vi que se tratava de outro autor, que cultura!

Anônimo. said...

Disse tudo! è isso mesmo! també sou analfabeto nessa tal de internet...

Adri said...

Eu concordo com a sua premonição sobre o futuro da comunicação.... e acho que este futuro esta bem proximo...

Daniel Caron said...

Aplausos!

Grande Jair. Saudades de conversar contigo e o Lopes enquanto era devorada uma pizza de sardinhas (sim, pq anchovas são para os iniciados).

Abraço,

Daniel