Sunday, August 26, 2007

Hippies

Um slide de fotos interessantes de hippies.

AQUI
Em inglês.

Porque quem nunca pensou em largar tudo e ser hippie não deve ser alguém de bom coração.

Thursday, August 23, 2007

De volta

...E na volta às aulas a tia da escola falava: Façam uma redação com o título Minhas Férias. Eu pensava: Que coisa, como é que eu vou resumir tudo de bacana que fiz nas férias numa redação. Mas, agora crescido acho até divertido fazer esta redação, então estão aqui três redações possíveis:

Minhas Férias

Eu procurei mas não achei o anão Tatoo gritando: O avião, o avião, o avião!. Mas acho que só faltou isso em Punta Cana.

Ficar num resort onde tudo está incluído no preço do pacote é bom demais. Cria-se um mundo paralelo onde não se precisa de dinheiro para comer ou beber. Nas areias brancas banhadas de águas azuis ou nos caminhos arrumados entre os belos jardins há sempre um funcionário do resort para entreter você, sugerir algo, ajudá-lo com algo ou simplesmente para sorrir e fazer você se sentir bem-vindo.

Lá pelo quarto dia com o mesmo sorriso de felicidade do primeiro dia e ainda impressionado com toda a organização do lugar percebi algumas coisas. Que por mais que tudo estivesse sempre limpo e arrumado não se via pessoas fazendo manutenção. A agenda do resort quer que este tipo de impacto no bem-estar dos hóspedes seja o mínimo. Também notava-se que a professora de merengue que começava a chacoalhar às oito horas da manhã estava ainda se mexendo às dez da noite.

Mas vocês não dormem não?!
Sorrindo sempre super simpáticos: Pois é, tudo para melhor servi-los.

Imagem 1: Christopher sendo massageado após mergulhar em águas transparentes pensa na lagosta que comerá mais tarde acompanhada de um vinho francês.

Imagem 2: Raul varrendo o chão às quatro da madrugada. O mesmo chão por onde os colonizadores arrastaram os antepassados dele, os primeiros negros escravos. Tudo tem que estar limpo para os turistas portugueses e espanhóis.

Minhas Férias

Foi muito bom estar em Santo Domingo.

Gosto das putas de vintão nas ruas, dos bares cheios de velhos barrigudos e jovens baladeiros, da malandragem do taxista que cobra de acordo com a cara do sujeito, do sorriso branco das meninas morenas, dos prédios romanticamente deteriorados.

Me senti em casa.

Minhas Férias

Eu acho furacões fascinantes. Torço por eles.

Adimiro aquelas imagens de satélite no telejornal, os cientistas metereólogos tentando calcular para onde ele vai, as pessoas discutindo se este chagará a ser um furação nível 5. Talvez eu goste tanto de furacões porque dão-se nomes de gente a eles. Não se dá nomes a terremotos por exemplo.

Eu fiquei preso sem poder sair da Ilha Hispaniola. O painel de vôos no aeroporto mostrava ao lado de todos os vôos a palavra CANCELADO. Com letras garrafais assim mesmo. Só tinha visto algo assim antes em filmes.

No quarto do hotel sem telefone ou internet eu seguia o furacão pela CNN em espanhol. Em intervá-los ia para a varanda fumar um charuto Cohiba dominicano e apreciar o mar revolto, o tempo cinza e sentir o vento que passava por ali perto. Foram três dias assim.

O Dean que era o responsável por isso. E eu mesmo assim, ou talvez ainda mais por isto, continuava torcendo por ele. Queria que ele crescesse, causasse alguma destruição fenomenal, que entrasse pra história. Ele seria como um conhecido famoso. Afinal o Dean foi meu único companheiro naqueles dias em Boca Chica. Toda vez que falassem do Dean eu diria com orgulho: Compadre meu.

Thursday, August 09, 2007

Férias

Minha mente fica pregando truques em mim. Tenta me convencer que eu preciso levar meus meios de comunicação com o mundo, que não existe maneira de passar uma semana sem eles. Como esquecer de tudo e deixar meu laptop e celular Blackberry em casa e ser feliz?

Bem, se eu não escrever mais nada nos próximos dias vocês saberão que fui forte o suficiente para tirar umas férias verdadeiras sem estas inconveniências eletrônicas.

PS. Se você quiser me achar clique aqui. Lugar do cacete!

Thursday, August 02, 2007

Medos

O homem de Neandertal tinha medo de água, ou melhor estar debaixo d’água se afogar e morrer. Ele tinha também medo do escuro, pois era quando ficava mais vulnerável a predadores. O desenvolvimento destes medos entre outros é o que trouxe nossa espécie até o aqui e agora recheado de outros medos. Medo de não suportar a carga de trabalho, medo de perder o emprego, medo de não ter o dinheiro para pagar as contas no fim do mês. Modernamente chamamos o desgaste em lidar com estes pequenos medos diários de stress.

No próximo final de semana para desestressar vou brincar com aqueles medos pré-históricos incrustados nos nossos genes e partir para um mergulho de scuba à noite.


Foto Googlada

Tuesday, July 31, 2007

Trabalho insalubre

Meu irmão trabalha em uma mina de carvão e eu sou um analista de sistemas.

As perguntas mais comuns sobre o trabalho do meu irmão envolvem insalubridade.

Olho pro meu irmão e vejo um cara saudável e forte, com uma boa postura, musculatura firme, pele bonita, sorriso largo.

Eu, um animal corporativo de carga média diária de trabalho de 9 horas na frente de um computador, estou barrigudo, estou ficando corcunda, estou desbotado pela falta de sol e minha mão direita tem dores estranhas causadas pelo uso do mouse e do teclado. Acho até que a capacidade de focar objetos além dos 40 centímetros onde fica a tela do laptop está ficando debilitada. Sem contar todo o desgaste psicológico de se perceber que se será um bicho preso num cubículo por anos.

Isto sim é insalubridade.

Friday, July 27, 2007

OS INTERNALFAS

É sabido, porquanto os registros históricos nos contam, que, ao longo do decurso evolutivo da sociedade humana; que a uma nova técnica incorporada; a um novo método desenvolvido ou a um novo “melhoramento” na comunicação ou no que tange a confecção ou indústria de artefatos, objetos, moradias, armas, utensílios ou coisas do dia-a-dia, uma boa parcela dessa sociedade se via excluída do processo. Isto é, nem todos tinham acesso à novidade, mesmo que esta levasse anos para ser absorvida e utilizada pelo grupo humano que a criou. Não é difícil entender por que. Quando os Sumérios, por exemplo, criaram a escrita, ou os Egípcios passaram a registrar sua história através de hieróglifos, nem todos daquelas sociedades eram compelidos a usar tais meios de comunicação, não tinham necessidade de fazê-lo, não fazia parte do cotidiano da grande massa do “povo” utilizar escrita ou hieróglifos, a comunicação escrita não lhes trazia quaisquer benefícios, suas vidas domésticas e profissionais não precisavam dessa ferramenta nova. Só os próceres, como sacerdotes, escribas e nobres usavam a “novidade”. Os demais, grande maioria, passaram a ser analfabetos. Mesmo em épocas bem mais recentes como na Europa da idade média, os textos, livros, manuscritos e panfletos eram acessíveis a muito poucos, o povão vivia na escuridão do analfabetismo. A sociedade humana evoluiu e a escrita, foi, aos poucos, fazendo-se necessária, na medida em que criou sua própria demanda, isto é, a complexidade das relações entre povos, nações, grupamentos e indivíduos era de tal ordem que só a comunicação oral não era suficiente para suportar o gravame de tais interdependências. A palavra escrita se impôs, e os analfabetos, marginais da história, agora, ainda que maioria, deslocaram-se para as camadas menos aquinhoadas, formaram a multidão dos despossuídos, dos pobres, dos servos e escravos. O progresso social é implacável, não contempla aqueles que não o acompanham. Continuou o progresso a marchar com passos largos ao rufar de tambores das tecnologias novas, continuou a criar novidades e assimilar novos saberes e sucessão de necessidades impossíveis de serem absorvidas por todos. Chegamos à última década do século vinte e, na cauda da informática, veio a internet. Oh internet! Marco divisório entre os que sabem e os que não sabem! Fez surgir um universo paralelo no qual tudo existe e, do qual, aqueles que têm acesso tudo podem extrair, mas criou uma nova classe de excluídos, os INTERNALFAS, na qual me incluo. Nós, os internalfas, ainda somos como os sumerianos dos primórdios da escrita, não temos necessidade vital da internet, nossa vida não depende dela. Mas chegará o dia em que aqueles que não souberem utilizá-la não terão oportunidades iguais aos demais, serão os párias de uma sociedade tecnológica, serão cidadãos de segunda linha. Estarão à margem das atividades daqueles “escolhidos” que usufruirão do que a internet tem a oferecer, a sociedade estará dividida entre os internautas e internalfas, classes distintas de senhores e servos. É hora de acordar! Internalfas de todo mundo, adentrai o mundo internético, tudo que tendes a perder é a vossa ignorância! JAIR CORDEIRO LOPES (convidado)

Thursday, July 26, 2007

Taxiodermia

Taxiodermia:
(cs) sf (táxio+dermo+ia1) Arte que consiste em dissecar os animais mortos, para os conservar com aparência de vivos. Var: taxidermia.


- O quê que está acontecendo aqui? Que pouca-vergonha é esta?

Seu Joaquim, enfurecido, olhava para sua filha de 14 anos com aquele moleque que na semana anterior foi apresentado como um colega de escola que tinha vindo estudar matemática com ela. Os dois estavam nus na cama dela agora se cobrindo com o lençol.

Adriana nervosa como nunca esteve só conseguia chorar e dizer:

- Calma pai, calma pai.

- Calma coisíssima nenhuma. E tu muleque, como é que é teu nome mesmo, Maurício, né. Vem cá que a gente vai conversar.

Os dois deixam o quarto e Adriana chorando. Maurício tremendo e ainda abotoando os jeans. Os dois descem as escadas para a sala de estar.

- Senta aí. Ele empurra o moleque para uma poltrona ao lado de uma estante onde guardava seus pássaros empalhados.

-Seu...Seu Joaquim...

-Tu cala essa tua boca, não quero ouvir nem um pio seu muleque safado!

Maurício se encolheu de pavor como nunca havia sentido.

- Você tá vendo estes pássaros aí?! Vou fazer a mesma coisa com você muleque filho duma puta.

Sete anos se passaram.

Aquele dia teria sido como foram todos os dias dos últimos sete anos. Adriana era uma fantasma presa numa casa onde Joaquim passava o dia sentado em sua escrivaninha empalhando pássaros sem abrir a boca. Para Joaquim, ele não tinha filha.

Na época do desaparecimento do Maurício a escola toda imaginou o que teria acontecido pois Adriana também não voltou mais pra escola. Pensavam eles, os dois teriam mudado de escola por vergonha.

Mas Adriana logo não se preocuparia com mais nada disto. Teve bastante tempo para aprender com os livros do pai. E hoje ela faria questão de colocar seu amado Maurício na escrivaninha de seu pai e colocar seu pai na garagem onde Maurício tinha estado todos estes anos. Tudo estaria no lugar certo.

Tuesday, July 24, 2007

Papo Gay


Vindo de um curso técnico no Cefet-PR o curso de comunicação social na UFPR me parecia um protesto anti status quo. Talvez por que se lê Marx ou quem sabe porque se usa muita droga, cursos da área humana em geral tem esta característica de quererem mudar o mundo.

O resultado era que ser diferente, ser alternativo era a regra, era o lugar-comum nestes cursos. Vestia-se de maneira diferente do resto, lia-se livros que poucos leram, escutava-se rock finlandês, estas coisas. Acabavam ficando todos iguais, mas isto é outro texto.

Umas meninas levavam isto para um nível acima e de repente decidiam ser lésbicas. Se elas sempre foram, se eram bissexuais, não sei. O que importa é que ao anunciarem em alto e bom som que eram homossexuais seu nível de alternatividade, com perdão do neologismo, aumentava e elas gostavam da atenção. Além dos braços completamente tatuados, além de fumar maconha hidropônica, elas eram as mais diferentes de todos os diferentes porque eram lésbicas.

Li que um bar gay em algum canto da Austrália ganhou o direito por lei de barrar heterossexuais de adentrá-lo. A discussão então girou em torno de se este tipo de discriminação não é exatamente contra o que os grupos GLS de bandeira de arco-íris lutam. Eu quero ter todos os direitos que um não-gay tem, mas eles que não venham dividir uma cerveja comigo.

Já comentei aqui no Ornitorrinco sobre algo nesta linha que aconteceu comigo.

Há uns meses, passei uns dias na casa de um amigo em Boston. Ele por algum mistério da natureza social atrai várias lésbicas para sua volta para serem suas amigas. (Para sua infelicidade raramente uma das suas amigas dá pra ele).

Fizemos uma festa e convidamos as amigas dele. No meio da noite os convidados eram várias das meninas lésbicas cercadas por caras que pela maneira que as cantavam, não eram gays. Uma delas de uns 20 anos e de atitude bem marrenta olha pra mim, do outro lado da sala, e com a atenção de todos pergunta: Você parece ser legal, mas você não é gay, é? Naquela hora me veio a imagem das menininhas da Federal que se achavam melhor porque eram gay. Lembrei também do dia que fui recriminado num bar por não ser gay. Porém não tenho nenhum tipo de sentimento contrário a gays, então elaborei a seguinte resposta:

- “Eu não acredito nestas coisas”. O povo em volta parou e ficou me olhando com cara de “O que que este cara está falando?”.

Se uma mulher fez sexo com outra uma só vez, ela passa automaticamente a ser homossexual? Se um sujeito pensou sobre outro homem com algum tipo de desejo, ele é gay? As meninas que dão beijo na boca umas das outras mas não fazem sexo são lésbicas? Acho que o conceito de ser gay ou não não existe. É um pensamento, como diriam meus colegas comunicólogos, muito positivista.

- “Em suma, eu nem entendo o que sua pergunta quer dizer.” Ela se calou, fui parabenizado por uns dois e de alguma maneira senti que fiz um favor para ela e para todos do mundo gay, se é que isto existe.

Saturday, July 21, 2007

ACM

No meio de tanta tragédia uma notícia boa: ACM morto!

Monday, July 16, 2007

Whoever has the most toys wins

Aqui nos EUA o lema para muitos é que na vida quem tem mais brinquedos ganha. Isto é, aquele que conseguir comprar a maior casa e enchê-la de carros, motos, barcos, TVs, computadores teve uma vida plena e completa. Acreditem, muita gente pensa assim aqui. Reflexo de uma cultura capitalista, materialista, consumista.

Eu como vocês podem imaginar não penso assim. Numa frase resumida como esta, diria que ganha quem teve o maior número de experiências variadas e de algum modo com elas aprendeu.

E vocês como pensam?

Friday, July 13, 2007

Muito indignado

Há um tempo atrás publiquei um texto chamado Indignado quando lamentava que o site Nomínimo, o melhor site de opinião do Brasil, poderia morrer por falta de patrocínio. Pois bem, o Nomínimo morreu.

Não sou muito de teorias conspiratórias mas ás vezes parece mesmo que a elite brasileira, que tem o poder e a grana para patrocinar inteligência, quer mesmo que o povo viva de bundas e novelas.

Aqui, no estilo do Nomínimo, leio o Slate (em inglês). Lá encontro vida inteligente neste país aqui que também precisa de uma sacudida no status quo.

Tuesday, July 10, 2007

Não se pode ter tudo

Demorou mas finalmente fui conhecer o litoral texano.

Por que não ouvimos falar em surfistas texanos? Afinal o Texas tem uma linha litorânea tão extensa quanto a catarinense somada à paranaense.

Por que não há invasões de turistas todos os anos em busca das praias do Texas? Afinal o mar é o do Golfo do México, quase Caribe.

Agora fica fácil entender. Galveston, a praia para a qual eu fui, me contaram é como a maioria das praias daqui: areia marrom coberta de algas marrons banhadas por uma água marrom.

E eu que reclamava do litoral paranaense...

Monday, July 02, 2007

Uma prova de amor em 2039

O jantar tem que estar perfeito pro aniversário dele. Ela pensava. Como ele era perfeito. Seu aniversário merecia tudo de melhor que ela pudesse fazer.

Ela estava feliz, ele sempre foi perfeito para ela, ou melhor, o mais perfeito que um ser humano pode ser. Talvez o mais perfeito que qualquer coisa em geral. Me chateio muito mais com meu lap top por exemplo. Pega vírus, tem a conexão lenta e me incomoda.

Hoje o que importava era dizer o quanto ela o amava e o quanto seria maravilhoso continuar sendo sua mulher nos aniversários dele de 40, 50, 80 anos.

Mais tarde, à mesa:

- Minha linda, hoje eu tenho que lhe contar algo.

Aquela afirmação soou carregada.

- Que foi meu amor?

Ele então disse:

- Eu menti quando disse que meus pais haviam morrido quando eu tinha um ano de idade.

- Como assim, não estou entendendo.

- Eu nunca tive pais.

- Você sempre foi órfão, sua mãe morreu durante o parto?

- Não nada disto. Eu fui criado em laboratório.

Ela dá uma risada, um pouco nervosa. Ele sempre faz piadas, mas algo está estranho no seu tom de voz.

- Pára, Amor, coisa sem graça. Que besteira.

Ele sem sorrir, força para parecer o mais calmo e sério que consegue. Sim, ele era bem brincalhão gostava de gozações mas aquele era o momento por qual esperara desde que aprendeu sobre sua criação. Ele tinha 20 anos quando entendeu como tinha sido criado. Agora estava pronto para dividir aquilo com alguém.

- Bem, vamos lá. Há muitos anos o homem tenta entender como a vida surgiu. Desde 1953 uma experiência chamada Urey-Miller simula as condições da terra há bilhares de anos atrás aplicada a elementos básicos e tenta fazer com que um microorganismo vivo surja de elementos inorgânicos. Átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio e o nitrogênio são sujeitos a diferentes condições de temperatura, pressão e corrente elétrica. Mas nunca tinha sido possível criar nada vivo.

- Isto até 2009, a trinta anos atrás. Pela primeira vez criou-se uma célula viva em laboratório partindo daqueles elementos. Esta célula foi chamada Pó Zero e tinha todas as funções de uma célula normal. Era como qualquer célula controlada por genes de proteínas. Era como qualquer outra célula que agora me compõe.

- A tecnologia para se clonar uma célula viva há anos existia, então depois de criada, a Pó Zero foi facilmente clonada para servir de zigoto. Implantada num útero, a natureza seguiu seu rumo, e bem, eu estou aqui.

- Então eu não entendo. Qual a diferença entre você e eu?

- Nenhuma. Com exceção que você sempre foi matéria viva, mesmo com seus genes divididos entre seus pais, você sempre foi matéria viva.

- Quer dizer, se voltarmos no tempo partindo dos seus pais, passando por seus avós, bisavós, por dezenas de milhares de gerações, até chegarmos às primeiras espécies de quase-humanos, voltarmos mais alguns bilhões de anos até os primeiros seres unicelulares, em algum momento você como eu não era orgânica.

- Agora sim linda, eu posso fazer uma piadinha: Na verdade a diferença é que eu sou mais ou menos 4 bilhões de anos mais novo que você.

Ela ri, ele sorri. Ele estava feliz. Queria dividir isto com ela. Amava ela e queria sim passar o resto da sua vida ao lado dela, até o dia que voltaria a ser inorgânico.

Saturday, June 30, 2007

São 13 os países nos quais estive


Para os navegantes desavisados:O Alaska está destacado pois faz parte dos EUA, no estado do Alaska propriamente nunca estive infelizmente.

Thursday, June 28, 2007

Bush e a lei de imigração

O presidente Bush apóia algo, logo este algo não deve ser coisa boa.

Um raciocínio simples, direto e na maioria dos casos prático. Eu mesmo aqui no Ornitorrinco já afirmei baseado nele.

Acontece no entanto que ás vezes o Sr. George Bush cai pro lado do bem. A chamada lei de imigração na espera para ser aprovada pelo senado é o caso. A lei instantaneamente daria status legal aos mais ou menos 12 milhões de imigrantes ilegais nos EUA. Obviamente, há uma série de obrigações e ações que os imigrantes terão que tomar para continuarem tendo direito ao que será chamado visto Z. Mas de qualquer modo é melhor que nada, é algo que precisa ser feito e precisa ser já. O presidente Bush desta vez está certo, mas como a cagada é sua marca pessoal, a população em geral, o congresso e o senado seguindo aquele raciocínio não estão gostando da proposta de lei.

Sunday, June 24, 2007

Curtíssimos Filmes

Contos minúsculos já são tradição no Ornitorrinco (veja contos minúsculos 1, 2 e 3)

Agora uma nova série começa: Curtíssimos Filmes.

"O reflexivo Cowboy"

2007, Texas, um cowboy num bar. Quais são suas dores? Quais são seus sonhos? No que ele pensa? Quem ele é?





Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.

Wednesday, June 20, 2007

Orçamento no Papel ou Hoje é um Dia Triste

Hoje é um dia triste.

Quase aos trintas, pela primeira vez na vida construi no Excel uma planilha de controle do meu orçamento. Os números que compõem meus créditos e débitos são auxiliados por fórmulas e cores para que representem meu presente, passado e futuro financeiro da maneira mais precisa possível.

Até 2009, posso presumir quando posso gastar e quando é melhor economizar. Chatíssimo.

Hoje, minha vida financeira passou diante dos meus olhos. Não tive muito, mas não faltou nada. Fazia e comprava o que queria sem o auxílio de qualquer planilha, nem qualquer planejamento mais sério pra ser sincero. Era sempre uma surpresa quanto eu realmente tinha. Minhas decisões de se eu poderia gastar ou não eram portanto subjetivas com um Q romântico, quase poéticas e artísticas. Passionalmente eu pensava; Vou comprar este Bob porque eu preciso ouvir “Redemption Song” várias vezes seguidas e tem que ser hoje. Vou tomar mais uma Bohemia ou mais uma dúzia porque esta menina é muita gata e está quase muito bêbada. Depois eu ia conferir se podia ou não ter gastado.

Em geral, considero que cheguei num lugar confortável e o mais importante: eu fui um cara despreocupado. Levar a vida era como pintar um quadro abstrato ao estilo Pollock e agora passará a ser tão sem-graça como decorar a tabuada. Daqui pra frente serei mais sério, perderei a espontaneidade, estarei sempre me perguntando se cabe no meu orçamento, não terei mais surpresas boas, minhas surpresas serão sempre negativas do tipo: perdi o emprego ou caí doente ou bati o carro e isto complicou meu orçamento.

Hoje é portanto um dia triste.

Tuesday, June 19, 2007

Carro e acessórios

Comprei um carro. É um carro simples, pequeno, barato, econômico, não tem nada de especial sobre ele, seria o quê no Brasil chamamos de carro popular.

Aqui no entanto ele vem com alguns acessórios a mais do que um carro básico no Brasil. Enquanto assinava a papelada do contrato fiquei lembrando do meu último carro no Brasil, que também tinha comprado zero: um Celta. Meu Celta veio pelado com exceção de dois itens cobrados extra: os pára-choques pintados e os malditos tapetes!

Cobrem os tapetes no preço final do carro, mas não me coloquem eles detalhados na nota pelo amor de São Cristóvão! O que que tem de tão especial nos tapetes que eles tem que ser cobrados em separado? Porque não cobram os bancos então ou o forro do teto? É pro vendedor ter uma margem de negociação? Desse modo ele pode falar: “Tá bom, a gente não vai te cobrar os tapetes”?. Vá a merda!

Por isso eu estava lá feliz da vida em ter comprado um carro básico que já vinha com ar-condicionado, trio elétrico, direção hidráulica, air-bags entre outras coisitas. Até o momento que olho pra nota e (adivinhem!) os malditos tapetes são cobrados a parte!

Saturday, June 16, 2007

Na entrevista pra emprego

Multifuncionalidade e pró-atividade são palavras mágicas no mundo corporativo. Se não perguntarem diretamente a você numa entrevista de emprego, dê um jeito de falar o quanto você é multifuncional e pró-ativo.

Multifuncionalidade não só sugere que você tem conhecimento sobre várias áreas e tem capacidade de trabalhar em cada uma delas em separado, mas que você irá certamente trabalhar em todas elas ao mesmo tempo e ao tempo todo.

Pró-atividade seria a capacidade de prever problemas que poderão acontecer e antes que eles surjam você já estará trabalhando para que, veja bem, eles não surjam.

Que monte de baboseira.

Pelo bem de minha carreira, eu como um carneiro digo que sim sou um empregado pró-ativo e multifuncional. Sou tão bom, que digo isto antes de o entrevistador dizer bom-dia e digo isto ao mesmo tempo que danço lambada e leio Hamlet.

Mas na verdade não acredito nisto e não trabalho assim.

Se você me permite, com sua licença, eu vou começar minha apresentação de powerpoint só depois que eu terminar de elaborar esta planilha de excel. Ser pró-ativo como? Estamos ainda apagando os incêndios do semestre passado.

Impressões de Austin

















Fotos minhas

Saturday, June 09, 2007

Novo blog para ser lido com frequência

Hoje li o mais recente post do blog Doutor Plausível. O blogueiro analisa de maneira bem original o como a ênfase fonética das palavras pode determinar o porquê alguns países são mais tecnológicos que outros. Os países de línguas germânicas dão ênfase ao significado original das palavras, enquanto os países latinos dão, muitas vezes, mais importância paro o sufixo. Isso nos faz mais enroladores e os americanos mais diretos por exemplo. Bem, tem que entrar lá e ler para entender.

Foi a primeira vez que entrei lá. Gostei e voltarei mais algumas vezes para ver se virarei um leitor diário.

PS. Pena que o autor usa muitas abreviações e letras maiúsculas desnecessárias.

Thursday, June 07, 2007

Começa na semântica

Tenho alguns amigos desempregados no Brasil. Eu também passei desconfortáveis períodos de desemprego.

Aqui não tenho amigos desempregados, mas conheço uma menina que está between jobs, isto é, entre empregos.

Tem toda uma carga de confiança no futuro neste último termo.

São pequenas coisas como estas que apaziguam as preocupações da vida.

Wednesday, June 06, 2007

Mendigos vestidos de Augusto

Muitos aqui em Houston não vêem mendigos com frequência. Estes muitos moram naqueles bairros de casas de quintais sem cercas e pegam uma highway para ir para o trabalho. Portanto, muitas vezes eles esquecem que existem mendigos.

Eu moro bem próximo ao centro da cidade recheada de mendigos e não dirijo, caminho para o trabalho. Portanto vejo vários mendigos todo dia.

Não é costume dar roupas velhas por aqui. Simplesmente as pessoas jogam no lixo o que não querem mais, roupas, móveis, eletrodomésticos.

Vindo de uma criação católica-brasileira eu sim doo minhas coisas usadas, como imagino muitos de vocês fazem.

Pois bem, tudo isto para dizer que como se quase fosse um manifesto humanitário de “Somos todos iguais”, cada vez mais vejo mendigos vestidos de Augusto pela cidade.

Tuesday, June 05, 2007

Star Wars

Em Austin, capital do Texas, uma caixa do correio pintada como o R2D2.


Foto minha



Desde criança ele é o meu personagem predileto desta série de filmes.

Você tem um favorito na trupe de Star Wars?

Monday, June 04, 2007

Indignado

Quando o sujeito começa um texto de opinião com "Eu amo meu país, mas.." sabe-se que vem bomba, sabe-se que vêm crítica indignada.

Pois bem:

Eu amo meu país, mas como pode um site recheado de ótimos jornalistas como o Nomínimo estar correndo o risco de fechar as páginas por falta de patrocínio?

Hoje tomo conhecimento que o site pode não ter mais atualizações.

Sou um leitor e divulgador do site há pelo menos 3 anos. Ler Arthur Dapieve, Guilherme Fiuza, Ricardo Calil, Tutty Vasques e Zuenir Ventura entre outros de graça, não tem preço. A turma do nominimo.com tem a liberdade de soltar as idéias como querem sem ter que se preocupar com a quase-censura dos grandes meios. Levem em conta que aquelas idéias vem de grandes cabeças.

Bem, fico chateado que o sistema como um todo no Brasil não permite que a inteligência seja bem remunerada. O que fatalmente leva este sistema a se retroalimentar de ignorância e por consequência nunca evoluir para melhor.

Friday, June 01, 2007

Não sabe brincar, não brinca

Todo o conceito do concurso Miss Universo é baseado em marmelada. É assim que funciona. Por isso acho engraçado a candidata brasileira reclamar que houve lobby japonês na escolha da vencedora.

Alergias

Imigrar para outro país depois de velho tem seu preço. Como meu sistema imunológico não foi curtido no ambiente daqui, percebo que desenvolvi umas alergias que nunca tive antes a pólen Texano. Saco.

Tuesday, May 29, 2007

Deu nos jornais

Inaugurou hoje um museu em Kentucky que conta a História da criação da terra e da vida nela do ponto de vista evangélico. A verdade, como conta a Bíblia, é que o universo inteiro foi criado em 7 dias.

Uma série de exposições pseudo-científicas mostram por exemplo uma Arca de Noé com diversos casais de bichos mecanizados. E pra que fique de acordo com descobertas paleontológicas tem dinossauros na arca também.


Site do museu aqui

Minhas simpatias à alopatia

Prólogo:

Ao ler esta crítica tenha em mente que eu sou um cara que ama a natureza, adora salada, defende as baleias, abraça árvores e caminha ao invés de dirigir.

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Uma amiga contraiu uma espécie de parasita no pé e ficou um tempo tentando se curar tomando remédios homeopáticos.

O naturalista canadense do show Survivorman do Discovery Channel teve uma doença intestinal causada também por um parasita e, como minha amiga, não se rendeu aos tradicionais antibióticos.

O que os dois tem em comum além do azar? Os dois foram bem teimosos por bastante tempo. Só quando a doença piorou bastante e eles perceberam que a homeopatia não os estava livrando de suas argruras eles se renderam à alopatia.

Como se sabe na homeopatia usa-se o remédio extremamente diluído água. Tão diluído que muitas vezes nem uma molécula do ingrediente ativo permanece na mistura. Os médicos homeopatas explicam, então, que a água “memoriza” as características da substância que nela estiveram.

Uma besteirada. Não há provas científicas disto.

Num mundo perfeito onde não estaríamos sujeitos aos vários tipos de agrotóxicos e conservantes nos alimentos e poluentes no ar e na água a homeopatia talvez funcionasse. Neste mundo até o pensamento positivo ou remédios placebos funcionariam. Mas no mundo real nosso, prefiro confiar nas pílulas alopáticas mata-tudo mesmo.


Na minha opinião a homeopatia é um café-da-tarde de criancinhas com xícaras, pires e bules de plástico. Serve-se ar como se fosse café para os convidados.

Sunday, May 27, 2007

Spams

Não paro de receber Emails de Nigerianos precisando depositar milhões de dólares na minha conta.

Já estou com saudades dos ladrões de orgãos das banheiras de gelo.

Quer alugar um bom filme?

Na locadora procure por qualquer filme que tenha folhas de louro na capa. Um bonequinho careca não é garantia.

Saturday, May 26, 2007

Deu nos jornais

- De cada 100 casais que se formam oficialmente aqui nos EUA, 55 serão separados somente pela morte de preto com uma foice na mão. Os outros 45 serão separados por um Juiz.
Nesta estimativa não entram casais que moram juntos, mas não são casados no papel. Casos onde provavelmente a porcentagem de separações é maior.

- Um jornal da Califórnia está terceirizando a cobertura de notícias políticas locais para a Índia. A razão é obvia, os salários lá são mais baixos. A explicação de como fazer isto também não é dificil de entender. As discussões nas assembléias legislativas são transmitidas via internet e as entrevistas feitas por email.

Monday, May 21, 2007

Este é um texto completo

Por que dizem que não se pode começar um texto com uma pergunta? E terminar perguntando, pode?

Motoristas

“Eu adoro __________, minha cidade, mas como o povo daqui dirige mal!”

Preencha a lacuna com o nome da sua cidade qualquer que ela seja e a frase está certa.

Já dirigi em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro e Paris, Nova York e Lisboa.
O quê todos os motoristas destes lugares tem em comum é que eles todos reclamam de como os motoristas de lá dirigem mal.

Uma conclusão lógica a que chego é que o homem enquanto espécie não sabe dirigir. Ponto final. É uma incapacitação física. Seria como esperar que o ser humano respirasse debaixo d’água.

Mais uma evidência: O carona, sempre, em todos os casos dirige melhor que o motorista. O carona percebe a melhor hora de freiar e acelerar. Troque o carona pelo motorista e a afirmação continua válida.

Talvez, na verdade, a arte de dirigir exija um distanciamento espacial. Dirige-se bem o carro dos outros. Pensa-se: "Se eu estivesse naquele outro carro ali, não faria isto”. Mas aqui no meu carro faço a mesma besteira que o próximo.

Uma última conclusão também provável é que todos dirigem bem. Sim, só não podemos ter nada em nossa volta. Nada de carros, pedestres, postes, meios-fios ou curvas.

Então, se conselho vale, pare de reclamar porque aquele barbeiro também está chamando você de barbeiro. Pode ter certeza.


Ilustração googlada

Sunday, May 20, 2007

Como pode?

Eu sou tão cético, tão crítico, tão chato que me deixa perplexo o fato de eu ter tido sempre alguma namorada do meu lado.

Thursday, May 17, 2007

Email para mim

São 2:45 da tarde:
Estou muito assustado. Acabei de receber um e-mail vindo da minha própria conta do yahoo:

“Caro Augusto,

Eu sou você no futuro. Não um futuro distante, apenas alguns minutos. São 3 horas da tarde exatamente e escrevo pra você para prepará-lo para algo. Você deve receber este e-mail exatamente às 2:45. Pois foi esse o horário que eu recebi este mesmo e-mail.

Você irá morrer às 3:01 desta tarde a não ser que você escreva um email para o Augusto das 2:45 com as seguintes instruções:”


Acabou assim o e-mail. Não tem mais nada escrito. Porque eu no futuro não terminei de escrever? Será que eu morri antes de terminar o e-mail? Envio um e-mail perguntando sobre as instruções e recebo um outro e-mail sem uma resposta esclarecedora.

São 2:50
E agora o que eu faço? Quais são as instruções? Devo escrever o e-mail e enviá-lo às 3:00 mesmo sem as instruções?

São 2:55
Copiei e colei o e-mail num novo e-mail e vou mandar para o eu das 2:45. Mas ainda faltam as instruções. Vou mandar assim mesmo.

São 3:00
Acabo de enviar o e-mail. E recebo uma pergunta vinda do Augusto das 2:45:

“Quais são as instruções?”

São 3:00 e 30 segundos
Ainda tenho tempo de responder antes de morrer:

“E eu que vou saber?”

Wednesday, May 16, 2007

Jerry Falwell

“A AIDS é a fúria de um Deus justo contra os homosexuais.”

Esta frase famosa nos Estados Unidos nos anos 80, quando a AIDS se espalhou, virou bandeira anti-gay de muitas pessoas pelo mundo. O autor dela foi Jerry Falwell um influente pastor cristão.

Ele faleceu na semana passada e aqui deixo um exemplo de frases sobre as idéias que ele pregava e que ainda povoam várias cabeças por aí.


Sobre Feminismo: “Eu ouço as feministas e todas estas garotas radicais…Essa mulherada só precisa de um homem em casa. É só isso que elas precisam. A maioria das feministas precisa de um homem para falar pra elas que hora do dia é e levá-las pra casa. E elas não ligam e elas ficam bravas com todos os homens. Feministas odeiam homens. Elas são sexistas. Elas odeiam homens, este é o problema delas.”

Sobre as escolas públicas: “Eu espero viver par ver o dia que, como antigamente, nós não teremos escolas públicas. As igrejas irão se apoderar das escolas e Cristões as estarão adiministrando”

Sobre a separação do Estado e igreja: “Não existe separação entre Estado e igreja”

Sobre o Islamismo: “Eu acho que Maomé era um terrorista. Eu li bastante sobre a história da sua vida, escrita por muçulmanos e não-muçulmanos, que ele era um homem violento, um homem de guerra.”

Sobre os Judeus: “Na minha opinião, o Anticristo vai ser uma cópia-fraude do verdadeiro Cristo, o que quer dizer que ele vai ser homem e Judeu, já que Jesus era homem e Judeu.”

Sobre o aquecimento global: “Eu posso lhes garantir, nossos netos vão rir daqueles que previram o aquecimento global. Nós estaremos em esfriamento global até lá...Eu não acredito em aquecimento global. Essa coisa toda foi criada para destruir o sistema livre empreendedor da América e nossa estabilidade econômica.”

Que Deus o tenha!




Fontes: Slate.com e Wikipedia.org

Sunday, May 13, 2007

Causa e efeito

O viagra a princípio é para alguém que quer fazer sexo mas não consegue. Toma-se para conseguir fazer sexo.

Mas o primo do amigo de um conhecido meu disse que se você consegue fazer sexo mas não está com vontade e toma um viagra você de repente fica com muita vontade e sai feito um louco procurando uma parceira.

Tuesday, May 08, 2007

A última instituição tradicional respeitadíssima.

Fiz uma pesquisa com alguns dos meus melhores amigos sobre o que eles pensam sobre o casamento. Eles, o universo de intrevistados, são: homem gay, mulher gay, cheirador de pó, nerd em informática, maconheiro, imigrante ilegal, hippie, ateu e adúltero. Algumas pessoas tinham mais de uma características destas e uma característica poderia ser aplicada a mais de uma pessoa. Na verdade pode ser que tudo isto seja uma pessoa só. Mas não importa.

O que importa é que o resultado foi: 100% levam bastante a sério a instituição casamento. Eles acreditam que deve-se casar e tentar ser feliz pra sempre.

Me chamem de careta mas eu achava que este conceito de casamento só existia entre os evangélicos e os feios e gordos.

Daí me ocorreu algo. Não estaria a origem da infelicidade de muitos casais justamente na fé no casamento perfeito e eterno? Mais ou menos assim: Estou casado e esta pessoa aqui do lado me incomoda bastante. Não sei se a amo mais, aliás nem sei se foi amor que nos trouxe até aqui. Pode ter sido só um longo período de tesão por exemplo. Mas agora não posso sair deste relacionamento pois criei uma prisão mental, afinal sempre acreditei que o casamento deveria ser pra sempre e perfeito.

Como é que se pode ser feliz?

Claro que alguns dos pesquisados são solteiros e ainda guardam o “sim” para a pessoa certa que aparecerá mais tarde ou mais tarde. Portanto eles ainda não podem ser completamente felizes agora pois isso só será possível quando encontrarem a pessoa com a qual vão casar, mesmo que o casamento os leve a ficar amargurados até a morte.

Ps. Procurei o solteiro feliz e o casado feliz, mas eles não acreditavam na instituição casamento portanto não entraram nesta pesquisa.

Monday, May 07, 2007

Grama verdinha em quintais sem muros

Eu devo mesmo ter algum problema.

Sabe aqueles bairros de casas sem cercas ou muros, com grama bem verdinha e bem cortada no quintal da frente? Aqueles tipos de bairros americanos como o do filme “Edward Mãos-de-Tesoura”. Bem, enquanto alguns ao ver toda aquela beleza e organização que parecem de mentira imaginam a alegria dos moradores e o mar-de-rosas que suas vidas devem ser, eu bem pelo contrário quando passo por um bairro assim aqui em Houston fico imaginando que tipo de doenças da alma não estão escondidas atrás daquelas paredes. Quantos pedófilos não estão numa sala-escritório sentados numa poltrona de couro caçando por crianças na internet? Será que aquele senhor pegando o jornal jogado pelo entregador não tem o desejo de matar sua esposa e filhos? Aquele outro ali lavando o carro é um comedor de carne humana?

De novo, eu devo mesmo ter algum problema como dizem minhas ex-namoradas.

Saturday, May 05, 2007

Baleias no Discovery Channel

Porque eu adoro Discovery Channel? Por que neste momento, num sábado a tarde de preguiça absoluta posso assistir um ótimo documentário sobre o que acontece com os corpos de baleias mortas por causas naturais. Sabia que elas morrem e afundam? Pois então os pesquisadores tentam entender a importância destes gigantescos cadáveres para os sistemas ecológicos nas profundidades.

Discovery dez!

Crawfish e Zydeco

O Crawfish é um crustáceo. Esta frase faz um bom começo pois é difícil explicar o que é o bicho. Ele tem a aparência de uma lagosta no formato e cor mas é do tamanho de um camarão. Um camarão médio. Detalhe, o crawfish dá em água doce. E como agora está óbvio, não tem nada de peixe. A primeira vez que me perguntaram se eu já tinha comido crawfish fiquei imaginando que cara teria aquele peixe. Seria algo como um bagre? Não sabia nada.

Pra cozinhar estes bichos usa-se água fervente com um tempero bem picante. Pra servir na maneira tradicional coloca-se um balde como os baldes de metal que se acha em áreas de serviço na mesa. Dentro estão os crawfishes mais uns pedaços de milho e batata para acalmar a boca quando começa a ficar picante demais. Pra comer quebra-se a casca do rabo do bicho com as mãos. Como se faz com o camarão, só que a casca aqui é bem dura. Faz uma sujeirada. Os comedores “profissionais” pegam a cabeça e a chupam enquanto a espremem. É de acordo geral que o melhor sabor sai dali, mas a dúvida que faz pouca gente fazer isto é o quando isso é limpo pois a princípio é ali que estão os intestinos do crustáceo. Eu chupei algumas cabeças e gostei. Se você estiver se perguntando: a resposta é sim, também tem as piadinhas quando se chupa as cabeças o que só diminui o número de apreciadores.



Foto minha

O zydeco é um estilo de música com origem no estado da Louisiana. Lá é bastante popular principalmente entre a população negra descendente de escravos. O ritmo é de batida rápida e uma música emenda na outra. Um instrumento que não pode faltar numa banda de zydeco é uma chapa de metal ondulada, como aquelas que se usa para lavar roupas. Essa tábua de lavar cujo nome verdadeiro desconheço é pendurada no pescoço e se aranha com dois pauzinhos produzindo som.

Foto minha

Final de semana passado fui num festival comer crawfish e escutar zydeco. Coisas autênticas como estas ás vezes são difíceis de se encontrar numa terra onde muito é produzido em série. Gostei bastante.

Friday, May 04, 2007

Série: Contos Minúsculos 3

1 Amigos:
- Tô te falando, meu amigo. A pior parte é estar de ressaca no outro dia e ter que ficar inventando explicação.
- Sei bem como é; mas olha aquela ali, olha.

2 Amigas:
- Amanhã eu vou com aquele meu terninho preto pra reunião, sabe qual?
- He, he. Sei. Amiga, você quer mesmo mostrar quem manda!
- Durante minha carreira inteira tem sido assim. Você sabe como é: Esses petroleiros são machistas. É foda.

Thursday, May 03, 2007

Fumaça

Cigarros e carros tem outra coisa em comum além da fumaça. Assistindo aos comerciais de pick-ups aqui nos EUA notei uma grande semelhança com o mundo de Marlboro. O que vendia os cigarros era a magia de uma terra selvagem, onde o fumante se tornava um homenzarrão de queixo largo montado num mustangue cavalgando pelas planícies largas. Mesmo que o sujeito na realidade gastasse sua vida num cubículo no centro da cidade. O mesmo se passa nos comerciais das pick-ups que levam o coitado de casa pro trabalho pelas lisas auto-estradas e só isso fazem. Na cabeça do motorista ele está colocando feno na caçamba da pick-up ou rebocando um trator por sua fazenda.

Comentário ecológico: Essa vontade de viver uma outra vida, uma vida mais natural, acaba ironicamente poluindo o planeta.
Comentário cultural: O Texano especialmente é louco por pick-ups. Aqui em Houston onde não há uma ruazinha de terra elas estão por toda a parte.

Tuesday, May 01, 2007

Zeeko, meu chihuahua

Comprei um pequeno cachorro Chihuahua ontem. Comecei a pensar como escrever pra vocês sobre o fato.

Procurava por algo interessante para escrever. Analisaria o porquê seres humanos são apegados a uma criatura que demonstra carinho ao primeiro que lhe alimenta. Iria talvez me aprofundar no assunto da carência inerente ao homem. Talvez eu chegasse a fazer as clássicas analogias entre ter filhos e criar cachoros. E finalmente afirmaria insensivelmente que cachorro e criança são lindos, mas que saco esta estória de ficar mostrando fotos e dizer “Meu filhote subiu sozinho pela primeira vez no sofá hoje.” como se fosse o acontecimento do mês.

Mas não me contenho:

Meu pequenino Zeeko é a coisa mais linda deste planeta! Todo serelepe, todo alegre, todo fofo! Hummmmmm! Que vontade de morder, coisa mais querida desse mundo!

Monday, April 30, 2007

Série:
Tudo que você sempre quis saber sobre os americanos mas não sabe ainda porque só foi ver aquele filme por causa dos efeitos especiais:



Por que americano é burro?

O americano se preocupa com o que acontece dentro do seu país somente e isso todos sabem.

Ao se prestar uma atenção maior nota-se que ainda por cima ele só se interessa por coisas do seu interesse (perdão pela redundância). Explico: O sujeito trabalha como instalador de ar-condicionado. Sabe o suficiente sobre ar-condicionados, obviamente. No final de semana ele assiste corrida da Nascar ou futebol americano. Ele sabe bastante sobre estes dois assuntos. Mas ele uma vez foi pra uma praia no México. Ficou num hotel para americanos onde passava as corridas e os jogos que ele gostava, é claro. Lá ele comprou um sombreiro que mostra com orgulho para quem vai a sua casa. Portanto ele sabe nada sobre o México.

O cérebro deste médio hipotético americano está ocupado assim: 30 %: Ar-condicionados, 70%: Futebol Americano e NASCAR e 0% cultura mexicana. ( A bandeira do México ele sabe bem é verde, branca e vermelha. Ou seria azul, branca e verde?)

Pensa-se assim.

Por que americano é gordo?

A resposta clássica estaria relacionada com a abundância de lanchonetes de fast food cujo símbolo maior é o Mc Donalds. O que é parte da verdade.Deve-se entender também que estes são os lugares mais baratos para se comer. O número de pessoas acima do peso é maior entre os de baixa renda.

No Brasil é quase um evento a família se reunir para ir comer no Pizza Hut por exemplo. Eu lembro que quando era criança no Rio de Janeiro, minhas festinhas de aniversário eram no Bob’s. Enchíamos a pança de hamburgeres e milkshake de ovomaltine. Mas era um acontecimento. O dia-a-dia tinha minha mãe na cozinha.

O que nos leva a um outro fato engordurante sobre os EUA. Não se cozinha em casa. Por consequência não se sabe ao certo como e com quanto açúcar e gordura os pratos são preparados. Mesmo fora do circuito fast food.

Por último, mas não menos importante, é que se gasta menos energia usando-se os carros, esteiras, escadas rolantes, elevadores que tem em toda a parte para ir ao trabalho, jogo de basebol ou lanchonete.O sujeito pega o carro na garagem, dirige até o KFC, pára o carro na frente da birosca, come frango frito, volta pro carro, volta pra casa. Não tem que deixar o carro a duas ou três quadras. E antes que você questione: sim, todos tem carro mesmo os mais pobres.

Come-se assim.

Por que tem sempre um americano nos pódios olímpicos?

De certo modo o motivo é o mesmo que faz o americano ser gordo. Num país desenvolvido há uma sobra de produtos e bens, mas pode-se transformar isso em uma sobra de tempo livre.

Para os que conseguem perceber que mesmo trabalhando menos se terá muito mais do que o suficiente para viver, sobra tempo. Pode-se por exemplo trabalhar 30 horas por semana e usar o tempo livre para treinar. É isso que muitos fazem. E ainda sobra dinheiro para escolher comer fora todo dia ou comprar uma espada de esgrima.

Ganha-se assim.

Saturday, April 28, 2007

Um grande atleta

No período de menos de um ano Andrew McOneil atravessou o Canal da Mancha a nado, escalou o Monte Everest e caminhou o Deserto do Saara. Os feitos por si sós são surprendentes, mas o que realmente chama a atenção é a condição física de McOneil. Com 1,79 metro de altura e 143 quilos, McOneil é considerado gordo pela Organização Mundial de Saúde.

“Quero mostrar ao mundo que ser gordo é ser saudável” afirma com orgulho o técnico em informática de 29 anos. McOneil mantém o seu bem distribuído tecido adiposo consumindo em média 5 mil calorias diárias em forma de macarrão, picanha, arroz , linguiça, batatas fritas. “Tudo com muita gordura”, complementa.

Perguntado por que ele então não diminui o consumo de calorias para perder peso e cumprir suas provas com mais facilidade; ele dá uma risada balançando sua barriga e responde: “Porque daí você não estaria aqui me entrevistando, estaria?”.

Extreme Sports

Tenho programado um salto de pára-quedas em maio e uma corrida de 30k na mata em junho. Acho engraçado que o contar do salto extraia tantas interjeições como;
Sério? (really?),
Nossa! (oh my gosh!)
Vai si fudê! (what da fuck!)
Mas sobre a corrida ninguém diz coisa alguma.



Pra se jogar de um avião queima umas duas calorias, não cansa, não dói. Agora passe 4 horas correndo no meio do mato.

Thursday, April 26, 2007

A volta à vida do Ornitorrinco

Este blog tem três tipos de leitores:

Os amigos e familiares, que muitas vezes entram no blog por pena ou por se renderem aos vários insistentes pedidos de “Leiam O Ornitorrinco, por favor!” por email, msn, telefone.

O segundo grupo são os sujeitos que googlam* uma palavra ou frase que os trazem até aqui. Estes constituem a maioria dos acessos num dia qualquer, mas também são os que entram uma vez e nunca mais voltam.

Entretanto de vez enquando um destes perdidos acabam gostando de algo que lêem aqui e viram frequentadores, o terceiro grupo. Admito, dá um pingo de orgulho. Obrigado a todos vocês dois!

(Para saber de tudo isto é fácil. Basta instalar uma ferramenta que permite que você confira quantos acessos seu blog teve e de que parte do mundo ele foi acessado, além do tempo de permanência de cada leitor.)

Apesar deles serem sempre bem-vindos, o que faz este blog continuar vivo não são estes leitores que me descobriram por acaso, gostaram do que escrevo e continuaram voltando. Este blog é como um boteco de família. Quero que vocês meus amigos venham a hora que quiserem, coloquem os pé em cima da mesa, arrotem, peidem, pagem ou pendurem a conta.

Acho que as saudades diminuem um pouco se posso contar minhas estórias mesmo estando atrás do balcão.

*Todo mundo já deve saber, mas só no caso: Google já virou verbo, tá?

Tuesday, April 24, 2007

Sydney


Foto minha.

Monday, April 23, 2007

Eu não volto mais pro Brasil.

Espero que esta breve explicação ajude meus amigos a entender.

Vejo a migração de um país pobre para um país rico como a saída do interior para a capital.

Não há um lugar melhor ou pior. É escolha.

A família e os amigos ficam lá e com razão cantam as qualidades do campo. O coração dói, dá saudades pra caramba. Por favor não se enganem; não são as luzes da metrópolis que hipnotizam o cumpadre. Lá há um elemento chamado descobrimento flutuando no ar. Há a descoberta de novas oportunidades e diferentes valores. Há uma visão mais ampla do mundo.

Como muitos, meu pai inclusive, que saíram da cidade pequena, eu pretendo não voltar mais e me entregar por completo à cidade grande.

Friday, February 16, 2007

Infinito/finito

O casamento com o amor da sua vida vai acabar. Você vai ser mandado embora do emprego perfeito. E o mais importante. Todos que você ama morrerão e você morrerá.

Como seria mais sossegado viver se simplesmente aceitássemos o finito. Entretanto parece que o efeito colateral de sermos seres pensantes é justamente sermos irracionais em nossas expectativas. Esperar pelo amor eterno ou a vida infinita, sei...



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Tentava achar um caminho para acreditar na vida após a morte pelo científico ou lógico ou racional, sei lá, algo que necessitasse mais da lógica matemática do que da fé.

Uma das teorias para explicar a origem do universo, como bem sabemos, parte do big bang. Depois do big bang o universo começa a se expandir combinando as mais fundamentais formas de matéria e energia dando origem a elétrons, átomos, seres vivos, planetas etc e tal. Este universo vai se expandindo até começar a se contrair. Tudo que existe vai então se aproximando, se fechando, entrando em colapso e volta a ser o ovo da criação composto de matéria e energia fundamentais. Este ovo explode como um novo big bang e o processo se repete infinitamente. Ovo, big bang, expansão, contração, ovo, big bang e assim vai.

Pois bem, matematicamente, numa destas expansões ou contrações, toda a combinação de elementos fundamentais que formou seus pais e você antes acontecerá novamente. É certo, pois em infinitos ciclos o mesmo arranjo de energia e matéria que forma você agora vai se formar de novo em um número infinito de vezes.

Isto é a vida após a morte.

Porém há um algo notável nesta teoria. A consciência se perde. Se não se perdesse, lembraríamos das infinitas vezes que vivemos antes. Voltamos a estaca zero então. Se vivemos antes, se vamos viver de novo depois e se não lembramos de nada, de nada adianta vivermos várias vezes.

Saturday, February 10, 2007

Quem não chora

Um rapaz australiano vendeu sua vida no Ebay. O negócio garantiu ao comprador o direito ao nome, a prancha de surfe e aulas, a agenda de telefone com os números de amigos e casos, e mais todos os objetos do vendedor.

Um americano começou trocando um clipe de papel por uma caneta usando o seu blog. De escambo em escambo, ele passou por uma bicicleta, uma moto até um ano livre de aluguel. Ele pretende chegar a uma casa.

Um outro americano, apostou com a incrédula namorada que seu blog teria 1 milhão de visitas. O prêmio da aposta seria um ménage à trois.

Bem, eu, latino só queria umas flores. E ganhei! Aqui as fotos.





Obrigado a vocês.

Sunday, January 28, 2007

Olhe para cima



Imagens de baixo pra cima em downtown Houston.

Saturday, January 27, 2007

Flores

Ontem eu comprei este ramalhete de flores silvestres no mercado e me dei de presente.



Eu gosto muito de flores.

Já encomendei ou comprei muitos buquês de flores para ex-namoradas, amigas e parentes. Algo que eu queria muito era receber um buquê. Eu já deixei claro pra diversas namoradas que gostaria de ser surpreendido por uma entrega em casa ou no trabalho. Mas isso nunca aconteceu. Sei que entre a maioria dos meus amigos homens soa afeminado gostar de flores. Eles me mandarem flores então seria o cúmulo da frescura pros dois lados de acordo com o que eles acreditam. Eu, entretanto, já dei flores para homens.

Mas mesmo as meninas por que nunca me deram flores?

Deixo aqui meus endereços para se algum leitor, homem ou mulher, quiser realizar meu sonho de receber flores:

Casa: 315, Hadley St. #3326
Houston TX 77002

Trabalho: 1021 Main St. 6th floor
Houston TX 77002

Thursday, January 18, 2007

"Passou rápido demais"

Li uma vez, que quando perguntado sobre que comentário ele tinha sobre a vida, o velho homem responde:

“Passou rápido demais.”


Eu aqui de baixo dos meus 28 anos já vejo uma vida que se vai ligeira. Vejo inclusive um eu velho pronunciando a mesma frase acima. De alguma maneira eu já estou lá, já sou um Augusto próximo à morte olhando para uma existência que passou depressa demais.

É um pensamento deprimente?

Pelo contrário.

É reconfortante para o momento de dor pois sentir dor é estar vivo.
É analtecedor dos tempos de contentamento.



Desenho

Tuesday, January 16, 2007

Meia Maratona de Houston

Passei a semana passada inteira falando para meus colegas de trabalho, “No domingo eu vou correr a meia maratona de Houston”. Podia ser só impressão minha, mas eles lançavam um olhar incrédulo e olhavam direto pra minha barriga.

Faz até um certo sentido. Inscrevi-me para a corrida de 21 Km em Junho do ano passado. Treinei por 4 semanas e me apareceram umas dores no osso da canela. Segundo os corredores mais experientes, como um maratonista que trabalhava comigo, aquilo eram pequenas rupturas nos ossos, e o corredor tem que parar por uma ou duas semanas e colocar gelo. Fiz isso e bem preguiçoso não voltei mais a treinar. As curtas corridas duas vezes por semana não serviram nem pra diminuir a barriga, quanto mais para valer como treino pra uma meia Maratona.

Mas eu estava confiante. Fiquei uns bons e longos cinco dias sem tomar cerveja. Não comi tanta carne vermelha e principalmente falei pra todo mundo que iria correr. Eu propositalmente criei esta pressão psicológica. Se falasse pra todo mundo, tinha que cumprir.

“Que burrada” não saía da minha cabeça nos primeiros 5 quilômetros. Depois até o quilômetro 10 essa idéia foi esquecida. Havia tantas pessoas motivando os corredores que parecia que ia dar. Cada copo d’água entregue por alguém dava força pra mais uma meia dúzia de passos.No quilômetro 15, observando muitos já caminhando, eu só pensava: “Se eu começar a caminhar não termino esta prova.” Pensamento só interrompido pelo “Que burrada” que agora voltava pra querer me matar na praia. A placa da rua que leva até minha casa “West Grey” era o convite pra ir pra casa. Estava alí do lado, mas eu teimoso, não parava de correr.

O percurso inteiro foi beirado por torcedores, mas nos dois últimos quilometros havia muito mais pessoas gritando e aplaudindo. Infelizmente, lá eu já não ouvia mais. Também não sentia mais dor, não pensava em mais nada. Até finalmente perceber que a faixa da chegada passava sobre minha cabeça e concluir: “Eu consegui”.

Saturday, January 13, 2007

Bagunçeiro com orgulho

O trecho de texto seguinte é do Pedro Doria, publicado no Nomínimo.

Publico, aqui, agora, por ser um bagunçeiro profissional desde que era pequeno. Eu sou realmente bom. Posso desarrumar um apartamento inteiro em poucos minutos. Eu ficava bravo e irritado quando diaristas arrumavam meu quarto. Todo o trabalho que tive tinha sido destruído.

O livro se chama A perfect mess: the hidden benefits of disorder – how crammed closets, cluttered offices, and on-the-fly planning make the world a better place. Carece de fôlego para ler, mas traduz-se mais ou menos assim: A bagunça perfeita; os benefícios escondidos da desordem – como armários entulhados, escritórios cheios de pilhas e planejamento em cima da hora fazem do mundo um lugar melhor.

Fazem mesmo.

Um trecho da resenha da Economist:

"O lobby da arrumação fala dos benefícios da organização mas não de seus custos. Um sistema de organização no qual os papéis importantes ficam próximos do teclado e o resto distribuído em pilhas mais ou menos desconexas não toma muito tempo para gerenciar. Guardar cada papel em uma categoria precisa, com códigos de cor separando pastas e um sistema de referências cruzadas tomará tempo. No fim, provavelmente não economiza o tempo perdido."

A tese dos autores vai além:

"Os autores do livro passam pela psicologia, estudos de gerência, biologia e física para mostrar porque um pouco de bagunça faz bem. Principalmente, ela cria mais espaço para coincidência e surpresas. Alexander Fleming descobriu a penicilina porque era notoriamente desorganizado e não limpou o prato de cultura, permitindo que esporos de fungos matassem bactérias. Ele comentou ácido ao visitar o laboratório impecável de um colega: ‘nenhum risco de criar mofo, aqui’."


Viram, pai e mãe? Eu sempre estive certo.

Tuesday, January 09, 2007

Besouros Espanhóis

Tinha bem só umas quatorze pessoas asssitindo ao show do quarteto de meninas. Depois percebi que três dos presentes eram da equipe de apoio.

O lugar escolhido era, entretanto, simpatissíssimo, composto de um pedaço de areia cercado de bananeiras e palmeiras em contraposição à decadente área de armazéns de Houston em volta. (Farei um post sobre o lugar algum dia.)

Elas tinham tocado Janis Joplin, Johnny Cash, Eric Clapton e do AC/DC, “It’s a Long Way to the Top”. Por aí. As pessoas estavam pedindo músicas e este diálogo que lhes conto aconteceu. Juro.

Eu, gritando: The Beatles! (com, obviamente, sotaque brasileiro, mas nem tanto)

Eu, de novo: The Beatles!

A vocalista, confusa: Isso é uma banda espanhola?

Eu, mudo sem saber o que falar: Annn?!

A vocalista, agora confiante: Bem, eu vou tocar um Guns n' Roses que é por aí.

Crianças, não usem drogas.

Sunday, December 31, 2006

Minha primeira vez sem um caixa de supermercado

O sujeito senta a uma mesa em um restaurante. Com grande trabalho um cozinheiro ou uma equipe está preparando numa cozinha quente um prato único pedido naquele momento. Daí um garçom leva o prato até você, pergunta se a comida está boa no decorrer da refeição. Depois de trazer a conta até você ainda alguém da casa é capaz de abrir a porta na saída. Você deixa suas louças para serem lavadas.

Minha primeira conclusão é restaurantes não são iguais a supermercados.

Não tem niguém empurrando seu carrinho.Um funcionário poderia bem pegar suas compras na prateleira. Poderia haver alguém que sugerisse os melhores produtos. Mas nada disso, bem o que eles fazem é pegar no caixa seu pobre dinheiro enquanto passam suas compras pelo leitor ótico.

Quase nada na área de prestação de serviços. E agora nada, nada mesmo.

Semana passada. Fiz todo o processo. Inclusive passar os produtos (e o cartão de crédito)nos devidos leitores.
Foi num Wal Mart. Numa quarta-feira em 2006.

Segunda conclusão óbvia: Meus filhos não conhecerão caixas de supermercado.

Tuesday, November 14, 2006

Congresso Americano e Borat

O congresso americano tem agora democratas como maioria na casa. Enquanto isto nas salas de cinema o esculhambado e infame filme "Borat" caminha para se tornar uma referência cultural. Dois fatos aparentemente separados se encontram em algum lugar na maneira de pensar do novo americano.

Os estúdios da Fox lançaram Borat em apenas pouco mais de 800 salas na primeira semana de exibição com medo de que os mais conservadores do interior dos EUA não fossem rir das piadas extremente politicamente incorretas do personagem. O presidente Bush, segundo ele mesmo afirmou, até a véspera da eleição ainda achava que dava para os republicanos virarem o jogo apontado pelas pesquisas.

Se pudessemos sentar o grupo Fox numa sala de debate político eles estariam à direita juntos de George Bush. Primeira coincidência: ambos foram, bem, conservadores em suas previsões.

Muitos dos democratas eleitos defendem o casamento de gays, o direito ao aborto, são contra a guerra ou, até mesmo, a favor das drogas. Coisas que mais uma vez, se pudessemos sentar numa sala estariam à esquerda. No mesmo lado das piadas anti-religiosas, do humor do incesto, da comédia escatológica de Borat.

Monday, November 06, 2006

Pra onde me dirijo todo santo dia

Estou trabalhando em downtown Houston. E como disse uma colega: Não importa no que você trabalha, quando se trabalha em downtown parece que você chegou lá, venceu.

Na verdade verdadeira é bem esta a sensação mesmo.

Série: Contos Minúsculos 2

1
- Sim, fui eu. Porque ele era mais rico, mais bonito e chutou o meu cachorro.

2
No sétimo dia ele não descansou. Criou o anti-universo, igual ao outro só que perfeito. E o primeiro, o teste, a cobaia, o esboço, sonha em migrar para o segundo perfeito, simétr
- Amor, desliga isso e vem pra cama pra gente fuder.

3
Olhando para todos seus 50, talvez 60, frascos de perfumes ele imagina o que teria feito com aquele dinheiro gasto. Poderia estar gordo de pizza, poderia estar queimado de sol, mas não, estava cheiroso.

Casa, separa

Há um tempo publiquei aqui A Lista Ornitorrinco de Coisas que o Homem Deve Fazer Antes de Morrer.

À ela acrescento: Divorciar-se.

Casar é fácil, agora vá se divorciar e sinta o drama.

Tuesday, October 31, 2006

É isso

Como ando trabalhando de monte, na frente do monitor toda hora, todo dia (mesmo, faz mais de um mês que não tenho um final de semana) chego em casa e blogar não me interessa.

Justificada minha ausência.

Sunday, October 08, 2006

Atenção: Este é um texto de auto-ajuda

Há muito tempo criei a lista de coisas que mereciam ser diluídas em ácido muriático. Um exemplo eram os adesivos dos cowboys urbanos que circulavam pregados nos pára-brisas dos carros por Curitiba. Lembram? Havia Os Cumpadis, Os Cumpanheiros, Os Amigos do Marcão (esse Marcão devia ser a bicha chefe do grupo). Acho que o nome que eu mais gostava, um exemplo supremo de criatividade e falta de noção era: Os Power Guidos. Bando de brocha!

Naquela lista havia algo que era casado com uma pessoa da lista de pessoas que mereciam ter todas as unhas do corpo arrancadas. Livros de Auto-Ajuda e o Dr. Lair Ribeiro. O cardiologista Lair Ribeiro foi por algum tempo o pai da auto-ajuda no Brasil. Ele ensinava um bando de gente, em palestra e através dos seus livros, a ter uma vida mais feliz, passar no vestibular, perder peso, curar burrice, estas coisas. Era um idiota, como seus admiradores, aqueles perdedores.

Pois bem, tudo isto para chegar no seguinte. Hoje estava passando o olho por uma série de blogs dos amigos do tempo da faculdade e pelos blogs que se acham por aí. E, olha só, um tema que está presente em todos eles é a auto-ajuda. Ou estou reclamando da vida (como este post) e esperando que meus leitores venham me dar um conselho que me faça sorrir. Ou estou dividindo minhas experiências que, esperançosamente, poderão ajudar outras pessoas a viverem melhor.

Conclusão: Será que tudo que se escreve, se pinta, se lê, se vê, se faz, não tem um pé na ciência da auto-ajuda? Será que Da Vinci queria fazer a bruaca da Monalisa se achar bonita? Será que Homero queria dizer que se você roubou a mulher do outro e causou uma guerra tudo bem? (Traduzindo para uma linguagem mas moderna, porém ainda poética: “Fica cool, bro. Os Deuses que tem culpa. Você é um produto do sistema.) ” Será que Kafka pregava que ser uma barata não leva a nada? Será que a Emília representava o lado boneca do Monteiro Lobato que não arranjava namorado porque era monocelha? Será que Bukowski era um bêbado? Será que Van Gogh era louco? Será que Orson Wells era viado? Será que Beethoven era surdo?

Minhas desculpas ao Lair Ribeiro que felizmente ainda tem todas as unhas dos dedos.

Saturday, September 30, 2006

Thursday, September 28, 2006

Redenção

O Juquinha fazia o dever de casa religiosamente.
O Juca preparava a palestra semanas antes da apresentação.
O Júlio Santos não perdia tempo com bate-papo pois tinha que caprichar na monografia.

O Sr. Santos precisa do relatório para ontem.
"Mas, mas eu preciso de tempo pra preparar".
Sua mulher o havia deixado.
Dr. Santos está chorando sem ter pra quem ligar.

"Foda-se o sistema".
A bala quebra sua mandíbula.

Monday, September 18, 2006

O dia em que voltei a ser Brasileiro.

Não, meus amigos, não encontrei uma Skol para tomar aqui nos EUA. Há sim, Brahma, mas nem por muito amor à pátria. Mas não foi isso que garantiu meu direito de me chamar Macunaíma. Se você chutou que adotei o Manoel Carlos como guru sexual, errou. Ainda não é isso. Poderia, talvez, ser o fato de eu entender que política de qualidade no Brasil é feita por um maconheiro. Ou ainda por eu cantar Brasil, um sonho intenso, um raio vívido na primeira parte do hino, e na segunda Brasil, de amor eterno seja símbolo. Pô, fala sério! Nisso, até você caro leitor se embanana.

Mas não foi nada disto, meus caros. Ontem me redimi das minhas estadosunidencices assim: Fiz um furinho numa lata de leite Moça e tomei no bico.

O Dia em que me tornei Americano.


Sim, meus amigos, estou tomando Budweiser. Mas não é isso que me me classifica como um legítimo americano. Também não foi a criação do hábito de dirigir por highways comendo um Whopper do Burger King e tomando Doctor Pepper. Mesmo sendo um aficcionado por Nascar, Luta-Livre e Futebol Americano e apreciador de seios volumosos há algo além destes quesitos para merecer ser filho do Tio Sam. Talvez se eu tivesse esquecido que a capital do Chile é Santiago, ou que, veja que incrível, Madagascar é um ilha na costa leste do continente africano, eu estaria mais próximo de merecer carregar no peito as listras e estrelas. Quem sabe seriam meus vários quilos a mais que me dão este direito?

Nada disto. Alcancei o apogeu rumo a americanizacão há algumas semanas, quando num descuido na preparação da mala me vi fadado ao sacrifício extremo e consequente caracterizacão do americanismo puro. Andei pelas ruas de calça jeans e tênis branco.

Wednesday, September 13, 2006

Coisas de cama

Gosto de escorregar a mão bem de leve do lado da barriga da menina, na cintura, antes dos quadris e das coxas, onde fica a linha do biquíni. Se saber fazer, dá uma tremidinha, quase um choque elétrico. Como quando se esfrega o dedo polegar no couro do tamborim o fazendo vibrar. Mas pra percurssão mais força que para a pele onde o que conta é o jeito. Mas parece que só dá para fazer em certos dias. Tem que estar frio, não muito frio, e seco, bastante seco. Não sei os números em celsius ou a humidade relativa ideal porque não é hora de pensar nisto quando se tem a menina nua ao seu lado na cama. E agora, lembrando, só funciona nela e em outras como ela, cheinhas.

Tuesday, September 12, 2006

Blog amigo "Projeto Canción"

Michele e Thiago pegaram a estrada e foram explorar a América do Sul. Pegando carona e vendendo artesanato com o violão a tira-colo os dois jovens prosseguem.

Até aí nada de mais, hippie tem em todo canto. Mas acontece que os dois são geniais. A Michele escreve muito bem e tem a cabeça certa para analisar este mundo incerto. E o Thiago, bem, o Thiago, é um artista da vida. Leva a existência como quem toca Jazz de improvisso. Tem amigos barrocos, bauhausianos, dadaístas e surreais. Lembro de quando ele passou num concurso do Banco do Brasil, de primeira sem esforço, só para dançar sobre a mesa de jantar do status quo. Largou aquela vida, porque VIDA é só essa só, e saiu pelo mundo.

Eles tem um blog. Olha aqui.


PS. Os dois foram (ou ainda são) estudantes comigo de Comunicação Social na Federal do Paraná, que também é pra quem pode. Assim os conheci.

Monday, September 11, 2006

As engrenagens te pegam pelo rabo

Admito, estou sendo corrompido pelo sistema.

Hoje, segunda, a Belga que trabalha comigo pergunta em inglês com sotaque francês como havia sido o meu final de semana. “Foi legal. Li bastante e fui duas vezes ao cinema”, declaro. Rebato com a mesma pergunta. Ela conta que fez bastante exercício mas o ponto alto tinha sido ficar ao sol. E eu, mané, falo com um tom sarrento, “Olhando assim você parece uma pessoa simples, mas você gosta mesmo é da vida boa.” Ela, com razão, responde, “O que que tem mais em ficar ao sol!? É de graça, está aí para todos”.

Os americanos típicos, movimentam a máquina capitalista indo comer em restaurantes e fazer compras durante toda a semana mas em especial nos finais. É regra, todo mundo faz. Daí aparece uma pessoa que tira uma satisfação plena de algo simples e grátis como ficar ao sol, me atrapalho. Soou como luxo.

Desculpa.

Sobre o filme “O Ilusionista”


O geralmente bom Edward Norton é o mágico Eisenheim na Viena de 1900 e uns pouquinhos que quer tomar para si um amor de infância agora prometida a um membro da realeza. Ele então paralelamente as populares apresentações mágicas nutri a paixão pela amante e divide com ela a angústia de não poderem estarem juntos.
Nada de novo, só a manjada fórmula do amor impossível. Parece que o público seria seduzido pelas apresentações do ilusionista. Mas o problema é que truque mágico só tem graça ao vivo, no cinema, obviamente fabricado por efeitos digitais, fica chatíssimo.

Nota. C+ (O Edward Norton também não estava tão bom).

Wednesday, September 06, 2006

Receita

Já se pregou que para um vida plena o homem precisa:

- Plantar um árvore.
- Escrever um livro.
- Fazer um filho.

Não é costumeiro neste blog fazer-se listas, mas perante tal determinação existencial seria covardia se calar. Criamos, portanto, A Lista Ornitorrinco de Coisas que o Homem Deve Fazer Antes de Morrer:

- Plantar uma árvore.
- Escrever um livro.
- Fazer um filho.
- Escalar o Evereste.
- Fazer um milhão de dólares.
- Participar de um ménage à trois.
- Entender a teoria da relatividade.
- Ficar 40 dias de jejum.
- Aprender a tocar um instrumento musical.
- Provar peiote.
- Correr uma maratona.
- Aprender uma língua estrangeira.
- Passar por uma cirurgia.
- Duvidar/Acreditar na existência de Deus.
- Parar de beber.
- Abrir uma empresa.

Tuesday, August 29, 2006

Morte aos diferentes!

Cheguei no bar e só havia mulheres. Umas trinta. Era um bar só para lésbicas. Nada oficalmente anunciado, mas na prática nem homens gays frequentam. Há muito disto nos EUA, lugares só de negros ricos, só de enfermeiros, só de motoqueiros donos de Harley Davidson, não pode ser de outra marca.

Pois bem, estava eu lá feliz e contente colocando notas de um dólar na jukebox e escolhendo de Beatles à Rolling Stones. Chega uma menina, que contrariando o biotipo da maioria das presentes, era magra e bonita. A gente conversa. Ela intrigada: “Mas então você não é gay”. Papo vai papo vem, ela também não era gay, estava só acompanhando o casal de amigas. Foi uma noite divertida até o ponto que presenciei o absurdo que é a discriminação contra as pessoas diferentes de você.

Ao sair do bar, fui insultado por uma outra menina. Com alguns palavrões que não incluirei aqui ela falou: “O que que você está fazendo aqui. Aqui não tem nada pra você. Faça o favor de nunca mais aparecer no nosso bar.”

Quase apanhei.

Afastamento para viver

“Devemos optar por viver a vida ou escrever sobre ela”. Já foi dito por um estratosférico escritor cujo nome não recordo. Não sei realmente se esta frase foi mesmo dita por alguém, mesmo um zé-mané, antes. Se não foi, a cunho agora.

Mas isto não importa.

Importa entretanto para os leitores do Ornitorrinco, que sim, estive sem escrever e sim, estive vivendo a vida nas últimas semanas. Agora volto e tentarei viver e escrever quebrando a regra da reza deste tal magnânimo autor, se é que ele existiu.

Saturday, August 05, 2006

Abaixo a inteligência artificial!

Eu quuero escrever errado e daí? Não quero um software qualquer tentando adivinhar o que querro e corrigindo como digito. Se minha planilha de Excel tem linhas e colunas numeradas assim: 3, 5, 1, 2, 2, 7, 2, 3, 1. É isso que eu pretendi. Não me ofereça sugestões de slide mestre no Powerpoint, saco! Não, não é porque eu procurei cem vezes pela palavra Superman no Google que desta vez eu não esteja tentando localizar Sula Miranda.

Clerks 2

Ao contrário do que geralmente faço, comecemos pela nota: Nota A+!

Como que um filme barato, de comédia (atenção, não disse comédia barata), pode receber a nota máxima ao lado de O Iluminado, Apocalypse Now, 2001-Uma odisséia no espaço, E La Nave Va, Pulp Fiction, A Liberdade é Azul, e Que Droga fui Assaltado (este curta foi idealizado ((não gosto desta expressão neo-pseudo-intelectual-politicamente-correto, mas vou usá-la mesmo assim)) pelo meu amigo Perusso e por mim, com a participação de Lielson Z. como diretor substituto)? Simples, eu e mais todos que estávamos na sala de cinema rimos da primeira frase à última. E eu estava não só dando gargalhadas mas batendo com os pés no chão, colocando a mão na barriga que chacoalhava. Vale dizer aqui que este papel ridículo não foi testemunhado por ninguém que eu conheça, fui sozinho ver o filme, por isso pude e fiz este papel.

Os personagens são todos de alguma maneira debilitatos mentalmente. Principalmente, desprovidos de mecanismos psicológicos de percepção do que a sociedade espera de cada um. O grupo de balconistas de neste caso uma lanchonete em New Jersey e mais seus vizinhos comerciantes de maconha analisam as preocupações da vida moderna, como carreira, amor, casamento, filhos, dinheiro, sucesso, as grandes palavras, olhando de baixo pra cima. Para quem não sabe, ser garçom de lanchonete ou balconista nos Estados Unidos é estar na base da cadeia alimentar.

E esta visão é como a dos outros mortais, cheia de angústias, medos e incertezas. Aliás, me corrijo aqui, eles são especiais, pois tem mais sacadas geniais e nenhuma obrigação com o que é para os outros correto. Pensemos, um pai de família num escritório típico não pode relatar sua experiência de quando assistiu a um espetáculo de sexo entre um homem e um animal sem ter sua vida, ou pelo menos como as pessoas olham para ele, abalada. Mas, como diz o poster do filme. “Com nenhum poder vem também nenhuma responsabilidade.”

Por isso e por outras coisas o filme é um clássico. A+!

Tuesday, July 25, 2006

Sobre o filme "Superman Returns"


“Tá”. Esta é a sensação ao se sair da sala de cinema onde Supermam foi exibido. Tá, é divertido. Tá, tem bastante ação. Tá, não foge do estilo dos bem sucedidos filmes dos anos 80. Inclusive as atuações de Kevin Spacey e do novato Brandon Routh não se parecem com Lex Luthor e Clark Kent/Superman, eles interpretam com maestria Gene Hackman e Christopher Reeve, quem para todos os efeitos transcederam e viraram os personagens no inconsciente mundial. Os atores que arriscam representar o filho de Kripton e seu maior inimigo tem duas opções: serem fraquinhos quando se distanciam dos “originais” como nos seriados televisivos ou serem de outra forma grandes “Tás”.

Nota para o filme: B

PS. Para que justiça seja feita. O filme tem sim crédito. Na maior parte do tempo você até esquece que na verdade tudo gira em torno de um cara com bastante gel no cabelo, vestido de colan azul e sunga vermelha.

Saturday, July 08, 2006

Urso

Distraído, olhei pela janela da casa onde estava ficando no Colorado e vejo um urso no quintal. Esta foto fui eu que fiz.



Foi fantástico.

Vamos falar das poucas palavras que existem.

Comecemos com um exemplo clássico: A cadeira. Você sabe o que é uma cadeira. Na sua mente há um exemplo genérico desta coisa. Mas esta imagem não é uma fotografia fixa. Ela carrega subjetividade, flexibilidade. Uma cadeira de madeira leva ao mesmo arquivo mental que uma cadeira de plástico.

O mesmo raciocínio se aplica à banqueta, ao banco, ao assento, à poltrona, ao sofá.

Porém existe um objeto, uma cadeira com apoio para os braços, acolchoada, talvez com alguma inclinação, da qual não se sabe ao certo se é uma cadeira ou uma poltrona. Existe entre todos estes elementos citados, cadeira, sofá, banco, etc, objetos híbridos que não são só um nem só outro.

Imagine uma reta que vai da cadeira perfeita (que não deixa dúvidas de que é uma cadeira, que não tem nada nela que possa fazê-la se parecer com um outro tipo de assento, se é que tal coisa existe) até o sofá perfeito (sob as mesmas hipóteses). Agora imagine todas as palavras do mundo, em qualquer língua para definir um objeto onde se senta. Eu aposto todas as minhas fichas que há mais variações nas formas dos objetos do que palavras.

A quantidade de palavras é infinitamente menor que a quantidade de objetos no mundo.

Mas o mais importante nem é isso. Devemos considerar as idéias também.

A quantidade de objetos é infinitamente menor que a quantidade de idéias.

Exemplo prático: Na minha cabeça, neste momento, eu vejo um alienígina sentado numa wxztrkjhwwptg. Para definir uma wxztrkjhwwptg precisáriamos de todas as palavras usadas nas ciências da Terra e mais umas palavras que teríamos que inventar como hgtrfpzxt e jsrrrrnv ou tprnmwqprtqqs.

A aplicação prática desta bobagem toda é simples. Não se estressar em busca de sucesso, felicidade, amor. Estas palavras que estão tentando definir desde que mundo é mundo. Já tentaram explicar elas usando todas as palavras de todas as línguas de todos os tempos e mais wxztrkjhwwptg.