A causa da crise do ponto de vista de esquerda de Lula versus o da direita americana
O presidente Lula recentemente disse na ocasião em que o primeiro ministro britânico Gordon Brown estava no Brasil que a crise mundial foi causada “por banqueiros brancos de olhos azuis que achavam que entendiam de economia”. Esta citação do nosso presidente que tem mais pérolas que pescoço de madame é agora criticada e análisada pela mídia internacional. Em geral os jornais americanos e europeus condenam a observação racista. Primeiro pois as causas da crise são tão complexas que nenhum discurso curto poderia explicar. Mas também porque num momento de crise as tensões raciais costumam ficar mais energizadas e tais afirmações, ainda mais ditas por um líder que tenta a todo custo se projetar internacionalmente, podem criar violência. Lembremos do tempo da grande depressão nos anos 30 que de alguma maneira contribuiu para alimentar os criminosos conflitos entre negros e brancos nos EUA e o crescimento de um sentimento nazista na Europa.
O Lula é um demagogo, é um populista, é um apreciador de metáforas futibolísticas e de frases de efeito. Mas ele em geral, por incrível que pareça, está em sintonia com a maioria da população brasileira. Veja sua popularidade no alto dos sessenta, setenta por cento. Ele tem como quase obrigação falar estes absurdos, não que a crítica internacional também não esteja certíssima ao criticar coisas faladas assim tão irresponsavelmente...
Mas agora façamos a comparação entre a frase “a crise foi causada por banqueiros brancos de olhos azuis que achavam que entendiam de economia” com uma frase difundida aqui nos EUA pelos de direita: “a crise (iniciando-se com a crise imobiliária) foi causada por minorias que pegavam empréstimos para comprar a casa própria e depois não conseguiam pagar”. Colocando estas duas frases lado a lado a de Lula parece menos absurda. Como julgar a minoria latina e negra dos EUA por quererem nada mais que uma vida melhor e serem lubridiados a aceitar tais empréstimos? Foram facilmente iscados a pegar tais empréstimos oferecidos por instituições financeiras ultra gananciosas justamente por serem pobres e pouco educados como consequência de um regime controlado por uma elite (branca de olhos azuis?) que cria estas aberrações sociais. Como não concordar que a crise foi de fato em parte causada por banqueiros? De todas as cores, é verdade. Como criticar um líder esquerdista que em geral defende os mais pobres no mundo em comparação a líderes de direita que muito pelo contrário culpam os pobres pelos problemas do mundo?
Thursday, April 02, 2009
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10:05 AM
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Thursday, March 26, 2009
A Barba Toma Conta de Mim
Sou um bebê de 30 anos de barba bem feita, recém feita.
Sinto meu rosto como sinto seda.
Suave é minha cútis como são minhas ações.
“Por favor”, “Muito obrigado”. Abro a porta do carro para meu amor.
Quem falou que isto não existe mais? Minha cara limpa não se acanha em ser gentil, em ser um cavalheiro.
Como uma lixa no terceiro dia sinto meu queixo, pescoço, maçãs do rosto.
“Por favor” vira “Porra”.
Estou deprimido, bebo demais. Não durmo, bebo demais. Bebo demais.
Me liberto no sexto dia. Sou um bruto total.
Não falo palavrões, porque só ruídos solto.
Minha barba crespa, grossa é minha verdadeira face.
Minha mulher é repulsiva para meus olhos.
A barba é plena. Entre os carrapatos minha baba escorre.
Uma barba de dezesseis dias. Ou seriam dezessete?
Não raciocino, sou menos que um animal.
Se existo de alguma maneira, sou no melhor uma poça de esperma, pus, catarro.
Vejo aquela que amei, que se diz minha mulher como nada mais que uma poça de esperma, pus, catarro também.
Me tranco no banheiro. Me encaro no espelho. Tenho que fazer a barba. Ela toma conta de mim.
A navalha. Minha goela. Esperma, pus, catarro, sangue e barba, muita barba.
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6:58 PM
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Monday, March 16, 2009
Contos Minúsculos 5
Acabara de escrever em seu diário: “Assim passei meu quadragéssimo-terceiro dia sem descer do alto deste Carvalho. Só me tiram daqui e derrubam esta árvore com uma ordem judicial assinada pelo Senhor!” quando de sopetão do céu anil sem nuvens um relâmpago desceu matando ele e a árvore.
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7:43 AM
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Wednesday, February 18, 2009
Leia “Watchmen”
Li “Watchmen” pela primeira vez no final dos anos 90. A recomendação foi dada por um amigo amante de literatura brasileira, clássicos de Homero, Shakespeare, Saramago. A princípio achei engraçado estar voltando a ler uma história em quadrinhos, coisa que fiz demais quando era criança. O que teria “Watchmen” se não personagens rasos, narrativa boba de heróis do bem contra vilões do mal, a pregação moral do que é certo?
Li aquela primeira vez e mais três vezes desde então. A cada leitura descobria uma nova camada. Os personagens são incrivelmente palpáveis, a narrativa é complexa e completa. Basicamente todos as grandes palavras estão lá abordadas: Amor, Sexo, Existência, Guerra, Vingança. Temas que eram foco nos anos 80 e ainda hoje são estão presentes: Genética, armas nucleares, homosexualismo, luta de classes, ideologia de direita x ideologia de esquerda, capitalismo, socialismo, busca pela fama. Como “Cem Anos de Solidão”, “Sgt. Peppers”, “Guernica” e “Cidadão Kane” estão para a literatura, a música, a pintura e o cinema, “Watchmen” está para a história em quadrinhos. Sim é um clássico no sentido original da palavra. Será, se já não é, estudado em classes universitárias.
Fica aqui minha recomendação, leia o livro antes da estréia do filme que acredito não chegará próximo da riqueza da obra original como acontece com muitas adaptações de Hollywood. E ainda criará um mundo na nossa cabeça que só irá comprometer uma apreciação plena que só se consegue sendo virgem em relação à obra original se no futuro decidirmos lê-la.
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3:31 PM
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Friday, December 19, 2008
Blogar para não perder a capacidade de escrever. Dizem que escrever é como fazer exercícios físicos: É difícil, é chato, dói. Mas que quanto mais você faz, melhor você fica e eventualmente acaba gostando daquilo.
Mas sem prática se perde muito. Uma prova é este post ruim depois de meses sem blogar.
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9:08 AM
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Friday, November 14, 2008
Fênix
Meus caros, voltarei. Logo voltarei. Mas por enquanto, para aquecer: Um sujeito que toca um violão.
Yamandu Costa.
Pode xingar.
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8:02 PM
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Sunday, April 27, 2008
Não entendo o patriotismo. Algumas pessoas criticam os imigrantes por eles terem deixado o seu país, terem abandonado a sua nação, como se aqueles fossem traidores, como se aquilo fosse pecado. Pecado me parece uma palavra apropriada para se usar aqui, pois o amor a pátria é similar a fé a uma religião.
Para início é algo que nos é enfiado na cabeça quando somos ainda crianças inocentes descobrindo o mundo. Na minha escola cantava-se o hino nacional toda segunda. Não é isto algo como rezar todo domingo? (Aqui cabe dizer que me parece que quanto mais uma coisa não tem lógica mais precisamos estar o tempo todo repetindo aquilo para nós mesmos para podermos acreditar: ir a missa todo domingo, cantar o hino com frequência. Aprendi que a raiz de nove é três e não tenho necessidade nenhuma de estar repetindo esta conta para não me esquecer que isto é verdade.) Bill Maher foi quem falou que religião é algo que nos enfiam goela abaixo quando somos novos, mas nossa responsabilidade quando adultos é retirar aquilo de lá. O mesmo serve para o patriotismo.
Outra questão mais importante é a própria definição de patriotismo. Devo amar a cultura do país, o povo ou a política? Não posso amar a distância? Temos mesmo que dar nossas vidas por este amor muitas vezes não correspondido? Se eu sou espírita e umbandista, Jesus me salvará?
“Amo a minha pátria, especialmente meu estado, mais especificamente minha cidade. Se alguém sai de Recife e vai morar em Salvador, pronto, acho este sujeito um traidor.” Não posso usar o mesmo raciocínio do patriotismo para justificar um “cidadismo”? Extrapolando posso chegar ao bairrismo,daí ao “só amo minha família”, e finalmente “só amo a mim mesmo.”
Eu pessoalmente acho que se há O2 para respirar, H2O para beber, as temperaturas estão entre cinquenta negativo e cinquenta positivo Celsius, estou num lugar que posso chamar de casa. Aliás, me corrijo, se colonizarem a lua e eu for morar lá nem estes elementos terráqueos comuns são limites para meu “patriotismo” seja lá o que isto queira dizer.
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Saturday, February 23, 2008
Friday, February 22, 2008
Francisco Obama
2004: Comício do candidato a vereador de Curitiba, Francisco Garcez. Um povo sofrido com fome às 8 da noite esperando qualquer coisa que servissem. “Será que só vai sair comida depois do discurso” perguntava a velhinha sentada numa das poucas cadeiras. O povo, uns mil, na maioria em pé.
2008: O telão do ginásio do time da NBA de Houston, os Rockets, mostra gente famosa que apoia Obama. Com um copo de Red Label na mão e um livro do Saramago “Todos os Nomes” na outra espero. “Não sei se esta bagaça vai demorar” pensava eu.
2004: A casa de eventos do lado da canaleta do expresso “Pra gente conseguir chegar” estava lotada. Um trabalho bem feito pelos membros da campanha do candidato do PT. Eu à tarde estava lá pendurando bandeirinhas com meu companheiro Eduardo Amatuzzi.
2008: Uma negra bonita no palco puxa o coro. “Barack” para um lado do estádio. “Obama” para o outro. As 20 mil pessoas gritavam e festejavam o evento. Não pude deixar de lembrar minha primeira visita a uma igreja evangélica aqui nos EUA. Os eventos aqui, igreja, comício, ganham aura de show. E o orador, o pastor, o candidato tem que ser antes de tudo um showman.
2004: “Oba, chegou a comida”. Uns pratos de salgadinhos, coxinhas, kibes, passando e o povo sofrido de esfomeação atacando. Depois sim, começou o comício. O papo era tapar buracos, construir valetas e outras coisitas como é comum no discurso de qualquer candidato a vereador em qualquer canto do Brasilzão.
2008: O Sr. Barack Obama candidato a presidência da maior potência mundial é um baita showman. Nas pausas da fala, aplausos eufóricos. Em 44 minutos conclui com promesas de fim da guerra no Iraque, planos de saúde para todos e reduçao de emissão CO2.
2004: Francisco Garcez não foi eleito. Foi por pouco. Faltaram uns 400 votos, se não me engano. Mas pelo menos até 2008 continuaria tocando o jornal de bairro Folha do Boqueirão e fazendo o que podia para, bem, tapar os buracos das ruas do bairro.
2008: Obama vai bem. Tem a maioria dos delegados necessários para ser o candidato do partido democrata e se eleito se tornará o primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América.
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9:11 PM
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Tuesday, February 19, 2008
Breves considerações sobre este tal de mundo
Kosovo. Comecemos Kosovo, porque sem ovos não dá!
Este lugar cujo nome dá vontade de fazer uma piadinha é o mais novo país independente deste tal de mundo. Bem, é ou não é. Pelo que entendi a independência de um país tem que ser aprovada por outros países para que aquele país seja de fato um país. É isto? E se metade do planeta reconhecer um novo membro e a outro metade não? Vai para segundo turno?
A Espanha, entre as grandes nações européias não reconheceu a independência de Kosovo. Mas é óbvio que não reconheceria. Com os Bascos ali dentro de suas fronteiras loucos para formarem sua própria república, a Espanha não daria esta chance. A Rússia também disse não. Os EUA disseram sim. Os dois como muitas vezes de lados opostos. E o Brasil, ah o Brasil! O Brasil vai esperar um pouquinho para depois decidir, para que pressa?
Eu sinceramente estou com o Brasil e ainda não tenho opinião formada. (Detesto quando isso acontece. Estou distraído acompanhando a política só de 231 outros países e vem um fora da minha lista declarar independência, saco).
Mas o que realmente me preocupa é o quanto estamos longe do futuro. Sim, se alguém aí lê qualquer coisa de ficção científica sabe que conforme o planeta terra evolua a tendência é que todas as raças, religiões e povos vivam em paz e uma comunidade mundial existirá no lugar de países independentes. Até um dia, todos os extraterrestres, pelo menos da nossa galáxia se unirem a nós. Daí para frente guerra só com outras galáxias. Oba!
Cuba. Brasil lançou foguete, Cuba também quer lançar, Ô Cu-Cuba lança....
Mais um país cujo nome pode virar piadinha está no centro da atenção da imprensa internacional (Será que é combinado isto? Já imaginou, manchete do Le Figaro: Cuba Lança Novo Presidente e Kosovo Não Entra na ONU).
O Fidel se foi. Não deu o gosto aos EUA de morrer mas simplesmente recusou se “candidatar” às próximas “eleições”. Bem, mais um assunto polêmico. Sim, ele mandou prender gente e possivelmente até matar uns que eram contra o sistema. Mas ele também criou excelentes sistemas de saúde e educação sem ajuda do rico Tio Sam.Uma disputa David x Golias na qual muita inteligente em algum ponto já tomou o lado de Cuba.
Dinamarca. País chato, pô. Não dá para fazer piadinhas de fundo sexual com o nome. Que saco!
A Dinamarca ganhou a primeira posição numa lista de países mais felizes do mundo. Não sei, não conheço, nunca fui para lá. Mas uma vez conheci uma dinamarquesa, linda, loira, alta, com um par de...Bem, sei que ela me fez bem feliz.
O que quero com o tópico Dinamarca é mostrar algo que garanto que vocês nunca viram (Não, não tenho fotos da dinamarquesa nua): as famigeradas charges e caricaturas do profeta Maomé que causaram tanto rebuliço a um tempo atrás. Fiquei por tempos curioso e, o pior, indignado que tanto falavam sobre as consequências dos desenhos mas ninguém tinha os cunhões de mostrar os malditos. Estão aqui as charges.
Houve um tempo que eu queria ser amigo de todo mundo. Agora depois de publicar estas charges aqui sei que já não posso mais contar com nenhum terrorista xiita extremista. Fazer o que, não se pode agradar a todos.
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2:36 PM
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Wednesday, February 13, 2008
De volta das férias, encontro uns cúbiculos vazios, aliás o andar todo está às moscas. Uma cambada foi mandada embora. Eu com meus botões pensando que talvez minha hora havia chegado. Principalmente pois na minha inquietude de viajante compulsivo não estava aqui quando o projeto tomou outros rumos. Mas para minha surpresa não foi o caso. Continuo firme na firma. Sou ainda muito bem quisto e precisado por sinal.
O filósofo de final de semana Jair espertamente analisou um dos paradoxos do capitalismo que porventura explica o como as minhas ausências periódicas me ajudam a ser um querido empregado.
DA SÉRIE: "Paradoxos do Capitalismo Corporativo"
Se você trabalha de acordo com as regras procure ausentar-se com certa regularidade pois, assim, seu chefe notará que sua falta reduz a produção e que você é útil. Se você não se afastar jamais, como seu chefe imediato poderá aquilatar a sua produção? Como medir a quantidade de trabalho que deixa de ser feita se você não permite comparações entre presença e ausência? Assim, deixar de trabalhar de vez em quando é necessário, mais até, é fundamental para a estabilidade do trabalho, seu e da empresa na qual trabalha.
Fica aí então uma dica para todos os caxias nesta corrida de ratos.
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6:39 PM
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Thursday, January 24, 2008
Som
Sou cinéfilo e entendido no assunto. Sou geralmente referência para o quê tem de bom na tela grande. Bem, este início sem modéstia é para prepará-los para uma confissão: De música eu entendo muito pouco. Porém sei em quem confiar para me indicar o que que tem de bom som pelo mundo a fora. Uma destas pessoas é Marina Mosol. Se ela diz que vale a pena eu sigo suas instruções e se eu não esclareço minhas fontes parece que o bom gosto é meu.
Ela agora escreve para o site Pop Mix do UOL (Coluna "Estação Tubo"). Siga os ensinamentos da Ma e seus ouvidos agradecerão.
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1:57 AM
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Monday, January 14, 2008
Eleições Americanas
Como um exercício de ideais, veja quem seria seu candidato respondendo estas perguntas que vão de temas como aborto à guerra no iraque. (Em inglês)
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7:26 PM
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Friday, December 14, 2007
Palavras
Já que final de ano é tempo de se fazer listas faço uma aqui. Nada mais chato do que listar as realizações do ano que se foi ou planos para o ano que chega.Então prefiro ser mais poético e fazer uma lista de palavras, vocábulos que sinto saudades de falar e de ouvir. Algumas pelo valor sonoro das letras juntas. Outras pelo que elas representam. E umas outras sem muita razão aparente mais que são palavras que eu simplesmente gosto. Aqui estão elas seguidas por uma ligeira explicação.
Assombração: Não há uma palavra em inglês como esta. Para início de conversa, na forma temos o som “ão” inexistente em inglês. Mas mais importante que isto é o que “Assombração” me traz a mente. Vejo uma cidade do interior, talvez Palmeira no interior do Paraná, vejo um casal de velhinhos caboclos numa casa de madeira contando histórias de fantasmas para as crianças de olhos espertos esbugalhados.
Caracol: Uma das minhas palavras favoritas de todos os tempos. Lembro duns caracóizinhos que havia no quintal da minha casa de Higienópolis no Rio de Janeiro. Eles tinham uma casca branca, frágil, eram pequenos, andavam bem devagar, obviamente. Acho que gosto da palavra por ela me lembrar do meu quintal, das brincadeiras com meu irmão, de subir na parreira de uvas. Mas também adoro o som. Gosto de como a lingua no fundo do céu da boca no prim eiro “C” faz uma pequena onda que vai para a frente do céu da boca para pronunciar o “R” e volta para o fundo da boca terminando com o enrolar do“ol” final.
Porventura: “Por acaso”, “Talvez”, “Quem sabe”, todas úteis, super usadas. Talvez por isso não sejam tão legais de se usar como “porventura”. Fui um grande falador de “porventura” no Brasil. Aqui uso bastante o “Perhaps” que também gosto, porventura tanto quanto gosto de “Porventura”.
Carta de alforria: Estas três palavras juntas são o que uso quando uma namorada deixa eu sair sozinho. Como gosto de sair sozinho, gosto da palavra. Bem, não é tão simples assim. Tive uma chefe que era burra, tapada, uma idiota. Eu, que amo todos, cheguei a ter ódio daquela mulher. E ela com toda sua ignorância foi a primeira pessoa que vi usando essa expressão que até então eu desconhecia. Ela portanto me ensinou algo. Acho que penso em “Carta de alforria” e minha confiança na humanidade dá uma piscada para mim. Meu pai diz que ninguém é tão inteligente que não possa aprender alguma coisa com alguém todos os dias, e ninguém é tão estúpido que não possa ensinar alguém algo todos os dias.
Vaga-lume: Uma mistura de assombração e caracol. Me faz lembrar da cultura de cidade do interior (talvez Palmeira no Paraná novamente) onde encontramos bastantes vaga-lumes. E também me lembra meu irmão, minha infância, meu amor por bichos, todos os bichos.
Onomatopéia e Mitocôndria: Coloco as duas palavras juntas por que gosto delas pelo mesmo motivo. Soam divertidas. Cheia de sílabas, acentos bem colocados, estas palavras parecem que saem cantando da boca. Em tempo, as onomatopéias propriamente são prontas para serem cantadas também: pipilar, tintim, cacarejar.
E vocês? Vocês tem palavras prediletas?
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3:21 PM
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Tuesday, November 27, 2007
Video-Game
Considero jogar video-game uma atividade pra meninada. Talvez porque aquela imagem impregnada em algum canto da mente que vem quando pensamos em algo ainda era de um Atari que meu pai trouxe pra casa quando eu tinha 8 anos. Se bem me lembro a fita que vinha junto era Missile Command. Jogávamos nós quatro lá em casa sem parar. Acho que eu era o melhor de todos, mas pode ser só minha imaginação querendo me fazer acreditar nisto. Meu pai comprou o Atari, sim, legal. Mas também logo estabeleceu que seria uma fita por mês e só. Puxa vida, pai! Aqueles jogos de Atari eram fácil de enjoar. Não tinha locadora naquela época. De qualquer maneira, a cada mês ele comprava um novo jogo no dia do pagamento do seu salário.River Raid, Pac-Man, Frostbite, “Aquele da galinha atravessando a rua” e por aí ia. Depois no futuro tive um Master System, um Mega Drive e finalmente um Super Nintendo. E parou aí. Gerações e mais gerações de sistemas apareceram, mas a imagem cognitiva era a do bom e velho Atari.
Estas memórias habitaram meu consciente nas últimas semanas enquanto considerava se deveria ou não comprar um aparelho de video-game. E era só o começo. Sabia também que ia acabar gostando e isso não seria bom. Já chega as horas de computador diárias no escritório. Agora mais umas horas em casa de uma atividade preguiça?
Encontrei um meio termo. O tal do Wii. Não se é o mesmo que ir pra academia, tá certo. Mas dá para suar um pouco batendo numa bola de tênis virtual ou jogando boliche de mentira.
E quanto a voltar a ser criança... sim acontece e faz bem.
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7:32 PM
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Tuesday, November 20, 2007
O Livro e o Kindle
O livro é o símbolo supremo da inteligência, da sabedoria e da cultura. Mas o que diabos é um livro afinal?
Um livro é composto de páginas. Páginas são retângulos de papel grudadas em um dos lados por cola, grampos ou costura. Várias destas páginas cobertas por um outro pedaço de papel, geralmente mais grosso e/ou com algum tipo de ilustração, chamado de capa, fazem um livro.
Pronto.
Ah, detalhe que eu quase esqueci. Um livro só é um livro mesmo, se neste monte de papel estiverem impressos símbolos chamados letras. E tem mais. Estas letras devem estar organizadas em palavras e as palavras em frases. Quando estas frases têm uma certa ordem e coerência e transmitem idéias aos leitores (leitores são as pessoas que olham para um livro e decodificam os símbolos em suas cabeças) temos finalmente o livro.
Pronto? Na verdade não.
O livro transcende o físico. A manifestação física, o objeto em si não é nada, de nada interessa. Afinal que uso tem um monte de papel? Fazer fogo, talvez. O livro é na verdade as idéias que ele transmite. Estas idéias são o que alimenta a inteligência, a sabedoria, a cultura dos homens. Em suma: dane-se a forma e viva o conteúdo.
Todos concordam? Com perdão pelo lugar-comum (lugares-comuns são atentados a boa escrita de frases e de livros): Aí que o bicho pega.
A maior empresa virtual e maior revendedora de livros do mundo, a Amazon.com, acaba de lançar o Kindle, “a evolução (substituição?) do livro”. O Kindle não tem nada a ver com um livro na forma. É de plástico, vidro, silício e todos estes materiais que constituem um computador moderno.
O problema é que prevejo que autores e leitores discutirão e tomarão lados se são adeptos ou não do livro digital. Eu consigo já visualizar muita gente boa criticando o Kindle e defendendo o valor do livro impresso. Mas não haverá perdão para estes últimos. Eles estarão dando valor a um monte de papel e esquecendo o que realmente importa. E logo eles que lêem tanto e portanto deveriam ser adoradores da inteligência, sabedoria e cultura.
Para saber mais sobre o kindle (em inglês):
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4:24 PM
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Sunday, November 18, 2007
Mais Momento Jaba
Caron é meu amigo e cumpadi
A foto minha no seu blog me fascina
Entra lá agora e não de tardi
Que prometo pará com estas rima
Clica aqui: Blog do Caron
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9:41 AM
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Friday, November 16, 2007
Meu nome é Valério. Eu sou um alcóolatra.
"Um copo só... ou será meu vício “falando” comigo. Não gosto desta expressão. Mas nas reuniões dos Alcóolicos Anônimos é comum se falar do vício como uma entidade separada, um ser de vontade própria que “pensa”, “fala”, “sugere” coisas ao seu portador. Mas minha vontade de assistir televisão tem a mesma voz do meu vício em álcool. Como posso diferenciar o que é o vício “falando” e o que é simplesmente vontade própria? Este mesmo exemplo da TV seria derrubado por meu patrocinador por ser um outro vício. Vício por televisão. Tem gente viciada em tudo, desde exercício físico até o vício em outra pessoa. Da onde vem toda esta invenção? Que se dane é tudo história, é tudo papo. Vou tomar um copo de vinho. Não! Deve ser o vício falando. Mas o que é pior? As conseqüências da bebida ou essa voz que só se cala quando bebo? Minha mulher me largou, mas e daí: Ela iria me largar mesmo se eu fosse um padre. Péssimo exemplo. Padre não se casa. Mas o ponto é que aquela vagabunda estava me traindo mesmo antes de nos casarmos. De novo este pode ser só o vício me induzindo a beber. Somos então uma entidade anexada ao vício e não o contrário. Não sei. Não sei de nada. Ninguém fala das coisas boas que a bebida traz. Sim, fiz amigos e descobri coisas novas em conversas de bar. Nos últimos 3 anos 4 meses e 21 dias quando não bebi, assisti televisão e naveguei na internet como se não tivesse mais compromisso na vida. E não tinha mesmo. Não criei amizades verdadeiras em conversas na internet. Minha vida sexual está reduzida e uma puta por mês quando posso pagar e horas de pornografia diária. Meu patrocinador diz que eu tinha um vício cruzado, sexo e bebida. Agora que estou “em recuperação” de um, falta “administrar” meu outro vício. Mas que droga...O sexo é uma necessidade básica... Mais uma vez, isso só pode ser meu vício em sexo falando comigo."
Este é um minuto na minha vida. Penso coisas como esta todas as horas que passo acordado. Minha vida se resume a isto aqui que escrevi, com algumas pequenas variações, multiplicada por cada minuto que ainda me resta nesta terra.
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Augusto Ouriques Lopes
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5:49 PM
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Momento Jaba
Forte e inteligente é a Marina
Tem um blog sobre rock e tudo
Cês por favor perdoem minhas rima
Mas entrem todos lá seus puto
Clique já: Máquecousa
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5:46 PM
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Tuesday, November 13, 2007
Para melhorar a distribuição de renda
O Facista:
Para melhorar a distribuição de renda deveríamos proibir que os pobres tivessem filhos. Para poder ter um filho o cidadão deveria ter que pagar um valor de, por exemplo, uns 100 mil dólares para o governo. Os ricos teriam obviamente mais filhos e suas fortunas seriam divididas entre os filhos por gerações fazendo que com a riqueza fosse cada vez mais distribuída entre vários indivíduos. Os pobres logo seriam minoria, então os trabalhos na base da cadeia alimentar teriam mão-de-obra escassa e por consequência melhores salários. A grana paga para o governo serviria para manter um sistema de busca e apreensão de rebeldes tendo filhos escondidos. Cidadãos que tivessem filhos escondidos, pobres obviamente, seriam executados. O mesmo valeria para seus filhos nascidos sem o pagamento da taxa. Oquê só aceleraria o processo de avanço a uma sociedade mais equilibrada.
O Comunista:
Só os pobres poderiam ter filhos. Se o cidadão fosse rico, não poderia ter filho. Quando ele morresse seu dinheiro seria distribuído pelas famílias pobres que mais filhos tivessem. Ricos que tivessem filhos escondidos teriam toda sua fortuna apreendida e distribuída também. Depois de alguns anos os ricos estariam extintos e a renda dividida entre as pessoas.
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